Contratei um Millennial…e agora!

Como o gestor deve se preparar para este não tão novo colaborador.

Se o título deste artigo ainda não representa a sua realidade como gestor de equipes, não se preocupe, a sua hora irá chegar!

Olá me chamo Antônio Diniz e tenho mais de 12 anos de experiência no mercado de trabalho formal, em nível nacional e internacional. Lendo esta frase introdutória sem me conhecer pessoalmente, quantos anos você me daria? Pois bem, vou revelar a você leitor pois quero me inserir no contexto deste artigo, como membro da geração Millennials atuantes no mercado de trabalho! Atualmente tenho 27 anos de idade e comecei a trabalhar aos 14 anos lá em 2008, já como aprendiz em uma rede de supermercados lidando diariamente com o atendimento à clientes, o que não parei de fazer até os dias de hoje, trabalhando em vendas para uma multinacional Sueca.

E não para por aí, eu sou o mais velho de 5 irmãos, os quais hoje todos já fazem parte do mercado de trabalho e um deles ainda resolveu ser empreendedor aos 24 anos abrindo o seu próprio estúdio de tatuagem e uma lanchonete após ter trabalhado por quase 10 anos na iniciativa privada, lembrando que eu sou o mais velho! Em casa, somos os verdadeiros Millennials considerando a geração Y e Z juntas!

Os Millennials ou também comumente chamados de Geração Y são as pessoas nascidas entre os anos de 1980 e 2000 e ainda contamos a Geração Z que são os nascidos entre 2000 e 2010 de acordo com Nile Howe e William Strauss, ambos autores do livro Millennials Rising: The Next Great Generation, o qual é atribuído a estes autores o sentido de categorização da palavra Millennials de forma a ser utilizada para expressar uma geração de indivíduos nascidos em determinado espaço de tempo.

Como você pôde perceber, somente em minha casa já temos 5 Millennials integrantes do workforce atual, corroborando com estudos feitos pelo Centro de pesquisas Pew dos Estados Unidos, onde neste estudo consta que somente no mercado de trabalho norte americano, hoje os Millennials já são responsáveis por cerca de 35% da mão de obra empregada. Empresas de serviços, tecnologia e consultoria como a Ernst & Young e Accenture reportaram que do seu quadro efetivo, que hoje se somados chegaríamos a mais de 800 mil colaboradores em nível global, algo em torno de dois terços dos seus colaboradores já são pertencentes da geração Millennials e a expectativa destas empresas é que estes números ultrapassem os 75% já em 2025 se considerarmos a Geração Z nesta conta.

Se os números acima chamaram a sua atenção e te fizeram dar uma parada para que você verificasse se tem um Millennial em sua equipe, já é um sinal positivo para você gestor! Pois a realidade é essa e o que nos resta é nos adaptarmos a ela. Caso tenha contratado recentemente para compor a sua equipe de trabalho um profissional desta geração, possivelmente recém ou já graduado, com ou sem experiência anterior, as dicas a seguir serão de grande valia para você e toda a sua equipe de trabalho, de modo que você consiga extrair o máximo de resultado deste colaborador no âmbito individual e coletivo, além de você mesmo gestor sair ganhando em termos de aprendizagem ou reciclagem de pensamentos ou formas de trabalho.

De acordo com a minha experiência pessoal, amigos e estudos de consultorias como Deloitte, KPMG, PwC e empresas de tecnologia como SAP, Salesforce, IBM, Microsoft e Google, dentre outras, concordamos com alguns tópicos que serão apresentados a seguir, no que diz respeito ao comportamento deste jovem profissional e suas expectativas acerca do ambiente de trabalho:

– Comportamento: Nós Millennials somos curiosos por natureza, onde fazemos perguntas e antes mesmo que você possa responder, já abrimos o Google e iniciamos a busca de respostas por nós mesmos, buscando respostas que as vezes vão além do necessário para a questão feita. Somos autodidatas em diversos assuntos, pois com o alcance do conhecimento na palma de nossas mãos por meio de nossos smartphones, de modo que nos tornamos muito impacientes e buscamos por respostas rápidas e fáceis de se aplicar. O gestor então vai conseguir capturar a nossa atenção para dar uma resposta ou abordar um assunto, uma vez que ele consiga contextualizar de forma clara e objetiva, utilizando de sua experiência e conhecimento do assunto de modo a trazer mais valor e claridade para a dúvida, do que mesmo o Google seria capaz de fazer. O gestor que for empático, com certeza irá atrair com mais facilidade a nossa atenção. Somos carentes por atenção e as redes sociais não suprem todas as nossas necessidades, pois o maior contato físico que temos hoje para interação fora de nossos lares, ainda é no ambiente de trabalho. E a opinião de nossos gestores é muito importante para nós, a partir do momento que deixamos a faculdade, ficará uma carência no sentido de sermos avaliados por alguém, o que até então era feito por nossos professores muitas das vezes diariamente, mensalmente ou ao final de um módulo de estudo, ficará incumbido essa tarefa aos nossos gestores. Por isso dar constante feedback ou demonstrar apreciação por mais simples que seja a tarefa executada, significa muito para nós e pode resultar em um aumento de produtividade maior do que o esperado.

– Ambiente de trabalho: Em muitas empresas as vezes nos deparamos com estruturas de trabalho muito arcaicas, nascemos na era digital e esperamos encontrar no nosso local de trabalho esse ambiente digital. Não no sentido de ser mais atrativo ou divertido, e sim porque é mais eficiente mesmo. Buscamos sim uma maior flexibilidade da jornada de trabalho, pois entendemos que cada indivíduo tem diferentes comportamentos e formas de abordar determinada tarefa de forma singular, e os Millennials fazem questão de encontrar no ambiente de trabalho essas alternativas, muitas vezes mesclando entre trabalho e diversão, onde o clima de descontração por diversas vezes, resulta em uma permanência no escritório de mais horas do que é esperado, as vezes pelo simples fato da boa interação com os colegas ou uma vez que aquela grande ideia ou tarefa requisita ainda não pôde ser concluída durante o horário normal de expediente. Daí vem aquela pergunta, embora muitas empresas já tenham adotado este ambiente mais moderno e descontraído de trabalho, ainda o turnover é alto para os Millennials em muitos casos, a troca de empresa é feita em menos de dois anos. Daí vem a regra de ouro, trate pessoas como pessoas e equipamentos, ferramentas como tal. Nós não estamos deixando o emprego porque mudamos de ideia sobre o que queremos encontrar de ferramentas no trabalho, contudo, queremos encontrar um ambiente onde sejamos tratados como pessoas e não robôs! Estamos buscando trabalhar em empresas que nos entendam, nos acolham, que preparem as outras gerações que já tem mais tempo de serviço a como se adaptar ao novo ambiente de trabalho que será construído, unindo a experiência com a curiosidade, jovialidade e as novas habilidades que estes novos colaboradores trazem para o ambiente de trabalho, e ter a oportunidade de desafiar as crenças existentes e o modus operandi instituído até então. Esperamos também que nos sejam fornecidos de forma clara o que é esperado de nós, e como o resultado do nosso trabalho impactará no atingimento dos objetivos da companhia, de modo que seja possível extrair o máximo de resultado dessa pluralidade de gerações, trabalhando juntas, como uma verdadeira equipe, entendendo e respeitando as diferenças entre elas, contudo, uma geração somando com o que há de melhor na outra, podemos utilizar um quebra cabeças para ilustrar essa realidade, onde cada peça do jogo tem um formato diferente das outras, entretanto, se forem conectadas de forma correta, veremos que mesmo com as diferenças que as mesmas possuem, elas conseguem se encaixar em harmonia e acabam resultando em uma obra final. Quando sabemos de forma clara onde queremos chegar como companhia, fica mais fácil posicionar cada peça do jogo e fazer com que elas trabalharem juntas em direção ao mesmo objetivo.

Temos diversos tópicos interessantes para tratar em futuros artigos, contudo, como foi falado no texto acima, a palavra-chave da nossa atualidade é a adaptabilidade, a qual no passado foi tão bem enfatizada por Charles Darwin na teoria da evolução, quando ele diz que os seres que sobreviverão ao longo do tempo, são aqueles os quais tiverem desenvolvido a sua capacidade de se adaptar ao seu ambiente atual mais rápido do que os demais que os cercam, este conceito permanece ainda mais vivo nos dias atuais em nossos ambientes de trabalho. Devemos permanecer em uma constante busca pela adaptação dos pensamentos e comportamentos exigidos pela atualidade, para que possamos continuar relevantes para o mercado de trabalho independentemente da sua geração. Entender os Millennials é entender como a vida será apresentada, protagonizada e vivida por nós não no amanhã, e sim no hoje!

*Antônio Diniz é um Millennial formado em Administrador de Empresas com Especialização em gestão estratégica de marketing e vendas pela FIA-USP. Mais de 12 anos de trabalho com vendas, gestão de contas estratégicas, atendimento ao cliente e comércio exterior, atuando em multinacionais no Brasil e na Ásia. Atualmente é Gestor de Contas Estratégicas e Líder de vendas de soluções digitais na SKF Group para a Malásia, residindo em Kuala Lumpur. www.linkedin.com/in/antônio-diniz

Fontes:

Howe, N., & Strauss, W. (2000). Millennials rising: the next great generation /by Neil Howe and Bill Strauss; cartoons by R.J. Matson. New York: Vintage Books.

Strauss W, Howe N. Generations: The history of America’s future, 1584 to 2069. 1st ed. New York: Quill; 1991

https://www2.deloitte.com/us/en/insights/focus/millennials.html

https://www.ey.com/en_us/tax/the-millennial-economy-2018

https://www.pwc.com/co/es/publicaciones/assets/millennials-at-work.pdf

https://www.accenture.com/_acnmedia/pdf-50/accenture-strategy-workforce-gen-z-rising-pov.pdf

https://www.inc.com/peter-economy/the-millennial-workplace-of-future-is-almost-here-these-3-things-are-about-to-change-big-time.html

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