{"id":2252,"date":"2021-03-13T03:09:47","date_gmt":"2021-03-13T06:09:47","guid":{"rendered":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2252"},"modified":"2021-04-01T22:18:22","modified_gmt":"2021-04-02T01:18:22","slug":"esg-as-tres-letras-que-estao-mudando-os-investimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2252","title":{"rendered":"ESG: as tr\u00eas letras que est\u00e3o mudando os investimentos"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Marina Grossi, presidente do CEBDS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luke Blower, representante do programa de redefini\u00e7\u00e3o de valores do WBCSD<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Melhores pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a (ESG, na sigla em ingl\u00eas, como s\u00e3o conhecidas internacionalmente) v\u00eam recebendo aten\u00e7\u00e3o mundial por estarem associadas a neg\u00f3cios s\u00f3lidos, baixo custo de capital e melhor resili\u00eancia contra riscos associados a clima e sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Companhias e investidores no Brasil est\u00e3o finalmente come\u00e7ando a prestar aten\u00e7\u00e3o a esse tema, e por boas raz\u00f5es, principalmente ap\u00f3s o acidente da Vale em Brumadinho (MG), no in\u00edcio deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que isso significa para o ambiente de neg\u00f3cios no Brasil?<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o significa, \u00e9 claro, que os conselheiros das empresas come\u00e7ar\u00e3o a abra\u00e7ar \u00e1rvores ou adotar outros estere\u00f3tipos ecol\u00f3gicos. ESG \u00e9 um termo que est\u00e1 sendo cada vez mais utilizado por consultores financeiros, bancos e fundos de investimento para avaliar empresas de acordo com seus impactos e desempenho em tr\u00eas \u00e1reas: meio ambiente, sociedade e governan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Governan\u00e7a e sustentabilidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ey.com\/en_gl\/assurance\/does-nonfinancial-reporting-tell-value-creation-story\">recente pesquisa<\/a>, investidores est\u00e3o contando cada vez mais com informa\u00e7\u00f5es ESG na procura por dados de grau de investimento para apoiar seus processos de tomada de decis\u00f5es, com foco em governan\u00e7a, direitos humanos e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. E utilizando esses par\u00e2metros como lente para investimento futuro potencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece porque os crit\u00e9rios ESG ajudam a prover investidores com mais informa\u00e7\u00f5es sobre as companhias onde eles est\u00e3o alocando capital. M\u00e9tricas ambientais ajudam o investidor a entender o relacionamento da empresa com o mundo natural e a sua depend\u00eancia de recursos naturais. M\u00e9tricas sociais ajudam os investidores a entender onde potenciais preocupa\u00e7\u00f5es podem em rela\u00e7\u00e3o a direitos humanos, rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, comunidades e com o p\u00fablico. Companhias com boa governan\u00e7a s\u00e3o mais confi\u00e1veis e menos propensas a ceder para corrup\u00e7\u00e3o ou coer\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os riscos relacionados a ESG n\u00e3o s\u00e3o novos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Indicadores de sustentabilidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Por muito tempo, grandes empresas, organiza\u00e7\u00f5es, governos e investidores consideraram os riscos \u201cG\u201d (governan\u00e7a), com foco em aspectos como contabilidade financeira e relatos de pr\u00e1ticas, o papel de lideran\u00e7a do conselho e sua composi\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o, \u00e9ticas de neg\u00f3cios e remunera\u00e7\u00e3o de executivos. Por\u00e9m, na \u00faltima d\u00e9cada, a influ\u00eancia da parte \u201cES\u201d (ambiental e social) aumentou consideravelmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em complemento ao crescimento no n\u00famero e na qualidade de quest\u00f5es ambientais e sociais que as empresas t\u00eam que reportar, a quantidade de indicadores internos relacionados a governan\u00e7a que tamb\u00e9m devem ser observados tamb\u00e9m aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, 85% das companhias listadas no \u00edndice S&amp;P 500, da Bolsa de Nova York, produziram alguma forma de relato ESG. Houve tamb\u00e9m um aumento de requerimentos regulat\u00f3rios relacionados a tais par\u00e2metros, totalizando mais de 1 mil em 63 pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, reguladores e mercados de a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o respondendo \u00e0s crescentes demandas de investidores por informa\u00e7\u00f5es ESG padronizadas associadas a desempenho financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, as Diretrizes de Relat\u00f3rios N\u00e3o-Financeiros da Uni\u00e3o Europeia passaram a requerer empresas com opera\u00e7\u00f5es nos estados membros a preparar uma declara\u00e7\u00e3o contendo informa\u00e7\u00f5es sobre prote\u00e7\u00e3o ambiental, responsabilidade social e tratamento de funcion\u00e1rios, respeito a direitos humanos e combate a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo ano, Cingapura introduziu regras para preparo de relat\u00f3rio anual de sustentabilidade, com identifica\u00e7\u00e3o de fatores ESG, pol\u00edticas, pr\u00e1ticas, desempenhos, metas e declara\u00e7\u00e3o dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o. As bolsas do Nasdaq N\u00f3rdico e do B\u00e1ltico lan\u00e7aram orienta\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias em mar\u00e7o de 2017.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>ESG no Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No Brasil, os par\u00e2metros ESG est\u00e3o em seu est\u00e1gio inicial. As \u00e1reas que cuidam do assunto nas empresas s\u00e3o pequenas, quando existem, e a maior parte delas respondem a demandas de investidores globais localizados fora do Brasil, que est\u00e3o integrando esses par\u00e2metros em seus pr\u00f3prios processos de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, investidores t\u00eam se concentrado em assuntos reputacionais e esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o. Consequentemente, a principal \u00e1rea de interesse para investidores brasileiros tem sido a governan\u00e7a corporativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem, contudo, come\u00e7a a evoluir, e empresas que n\u00e3o consideram quest\u00f5es ambientais e sociais podem se submeter a impactos negativos em curto, m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.cfainstitute.org\/marketintegrity\/2018\/10\/24\/environmental-social-and-governance-esg-integration-in-brazil\/\">Pesquisa recente do Instituto CFA<\/a>&nbsp;sugere que nos pr\u00f3ximos cinco anos, at\u00e9 2022, os temas ambientais e sociais se tornar\u00e3o significativamente pr\u00f3ximos dos relacionados aos de governan\u00e7a em termos de import\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tenta um movimento na dire\u00e7\u00e3o certa. A legisla\u00e7\u00e3o garante prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente e existem uma s\u00e9rie de iniciativas apoiando o desenvolvimento. Por\u00e9m, h\u00e1 uma oportunidade para ir al\u00e9m. Companhias precisam entender seus impactos e a sua depend\u00eancia da natureza e da sociedade e gerenciar riscos e oportunidades relacionados, enquanto se comunica de forma consistente com investidores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Diretrizes da TCFD<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, as recomenda\u00e7\u00f5es da For\u00e7a-Tarefa sobre Divulga\u00e7\u00f5es Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em ingl\u00eas) s\u00e3o um passo crucial. A TCFD ajuda empresas a dirigir aten\u00e7\u00e3o aos riscos f\u00edsicos e de transi\u00e7\u00e3o e oportunidades relacionadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e como relatar esses riscos e oportunidades, bem como os esfor\u00e7os para gerenci\u00e1-los, para agentes financeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o apoio do Conselho Mundial Empresarial para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (WBCSD), o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (CEBDS) realizou recentemente uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es e workshops para aumentar o entendimento das empresas brasileiras sobre essa transpar\u00eancia e as mudan\u00e7as no gerenciamento de riscos, enquanto esbo\u00e7a potenciais solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o CEBDS, a implementa\u00e7\u00e3o da TCFD tem sido explorada na C\u00e2mara Tem\u00e1tica de Finan\u00e7as Sustent\u00e1veis, que inclui bancos p\u00fablicos e privados (Ita\u00fa, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, Caixa Econ\u00f4mica Federal, BNDES, BACEN, Banco Votorantim), mas tem sido abra\u00e7ada por empresas que identificaram a TCFD como prioridade para este ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril, o CEBDS, a Bloomberg e o WBCSD convocaram um di\u00e1logo para empresas do agroneg\u00f3cio sobre impactos relacionados a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, bem como as mudan\u00e7as associadas \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o das recomenda\u00e7\u00f5es da TCFD. Os temas-chave surgidos foram finan\u00e7as e resili\u00eancia. Como as solu\u00e7\u00f5es inovadores podem ser comunicadas e financiadas? Como pode o agroneg\u00f3cio se preparar, adaptar e responder \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/p>\n\n\n\n<p>O que ficou claro nas tend\u00eancias globais recentes, bem como nas conversas nos workshops das \u00faltimas semanas \u00e9 que os neg\u00f3cios que s\u00e3o l\u00edderes globais est\u00e3o integrando riscos ESG, oportunidades, impactos e depend\u00eancias relacionadas no processo de tomada de decis\u00f5es e est\u00e3o avisando seus stakeholders que eles est\u00e3o em um caminho estrat\u00e9gico.<\/p>\n\n\n\n<p>A oportunidade para os neg\u00f3cios brasileiros est\u00e3o claras e significativas. O tempo de agir \u00e9 agora. <\/p>\n\n\n\n<p>Informa\u00e7\u00f5es do Autor<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marina Grossi<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"275\" height=\"183\" src=\"https:\/\/editoragp.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/download-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2254\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Marina Grossi \u00e9 economista e presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (CEBDS) desde 2010 e membro do CPLC (Carbon Pricing Leadership Colalition) do Banco Mundial desde 2018. No CEBDS desde 2005, Marina atuou como diretora-executiva e coordenadora das C\u00e2maras Tem\u00e1ticas de Mudan\u00e7a do Clima e Energia, Constru\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel e Finan\u00e7as Sustent\u00e1veis. Possui um vasto curr\u00edculo ligado \u00e0 \u00e1rea governamental, atuando como negociadora do Brasil na Confer\u00eancia das Partes (COP) da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (COP do Clima) entre 1997 a 2001, e como coordenadora do F\u00f3rum Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas entre 2001 e 2003. Participou das negocia\u00e7\u00f5es do Protocolo de Kyoto e representou o Grupo dos 77 (G77) mais China na \u00e1rea de Mecanismo Financeiro na COP 6 \u00bd (segunda fase da COP 6) que ocorreu em Bonn, Alemanha. Foi assessora do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, na Coordena\u00e7\u00e3o de Pesquisa em Mudan\u00e7as Globais, e na Coordenadoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social e chefiou a Assessoria Internacional da Televis\u00e3o Educativa (Funtev\u00ea).<\/p>\n\n\n\n<p>Mat\u00e9ria reproduzida na integra &#8211; Fonte:  cebds<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marina Grossi, presidente do CEBDS Luke Blower, representante do programa de redefini\u00e7\u00e3o de valores do WBCSD. 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