{"id":2260,"date":"2021-03-13T22:18:29","date_gmt":"2021-03-14T01:18:29","guid":{"rendered":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2260"},"modified":"2021-03-13T23:24:48","modified_gmt":"2021-03-14T02:24:48","slug":"faltam-diretoras-e-conselheiras-nas-companhias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2260","title":{"rendered":"Faltam diretoras e conselheiras nas companhias"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Naiara Bert\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisa mostra que um quarto das empresas listadas na bolsa n\u00e3o tem nenhuma mulher em cargo de lideran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Governan\u00e7a Corporativa (IBGC) em parceria com o \u201cValor Investe\u201d mostra que quase um quarto das empresas de capital aberto n\u00e3o tem nenhuma mulher na diretoria ou no conselho. Das 295 empresas avaliadas, 77,6% (229) t\u00eam mulheres na lideran\u00e7a (em cargos de diretoria, conselho de administra\u00e7\u00e3o, conselho fisc<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Governan\u00e7a Corporativa (IBGC) em parceria com o \u201cValor Investe\u201d mostra que quase um quarto das empresas de capital aberto n\u00e3o tem nenhuma mulher na diretoria ou no conselho. Das 295 empresas avaliadas, 77,6% (229) t\u00eam mulheres na lideran\u00e7a (em cargos de diretoria, conselho de administra\u00e7\u00e3o, conselho fiscal), mas 22,4% n\u00e3o possuem nenhuma profissional no C-Level ou conselhos. Os dados foram filtrados a partir do que as empresas colocam em seus formul\u00e1rios de refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento mostra que, do total de companhias, mais da metade (57,3% ou 169 delas) tem ao menos uma mulher no conselho de administra\u00e7\u00e3o e 38% (112 empresas) t\u00eam algu\u00e9m do sexo feminino no conselho fiscal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"410\" src=\"https:\/\/editoragp.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/arte11carr-102-mulher-b2.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2262\" data-full-url=\"https:\/\/editoragp.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/arte11carr-102-mulher-b2.jpg\" data-link=\"https:\/\/editoragp.com.br\/?attachment_id=2262\" class=\"wp-image-2262\" srcset=\"https:\/\/editoragp.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/arte11carr-102-mulher-b2.jpg 984w, https:\/\/editoragp.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/arte11carr-102-mulher-b2-300x125.jpg 300w, https:\/\/editoragp.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/arte11carr-102-mulher-b2-768x320.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>No n\u00edvel de diretoria, por\u00e9m, o quadro piora: apenas 105 das 295 companhias avaliadas pelo IBGC t\u00eam ao menos uma mulher no C-Level. Isso representa 35,6% do total. \u201cA diferen\u00e7a de g\u00eanero em cargos de lideran\u00e7a existe porque existem vieses inconscientes. A mudan\u00e7a passa por um exerc\u00edcio di\u00e1rio de reflex\u00e3o e faz parte da educa\u00e7\u00e3o. O processo de diversidade e inclus\u00e3o precisa ser olhado por todos. Se os lugares t\u00eam mais ou s\u00f3 homens, eles precisam olhar para isso e entender que \u00e9 ben\u00e9fico para a empresa\u201d, diz Val\u00e9ria Caf\u00e9, diretora de Vocaliza\u00e7\u00e3o e Influ\u00eancia do IBGC.<\/p>\n\n\n\n<p>As discrep\u00e2ncias entre homens e mulheres s\u00e3o grandes quando observadas as empresas e os indiv\u00edduos. As 295 empresas avaliadas possuem, no total, 4.989 funcion\u00e1rios em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a (diretoria, conselho fiscal, conselho de administra\u00e7\u00e3o e os que ocupam concomitantemente assento no conselho de administra\u00e7\u00e3o e cargo na diretoria). Desses, 87,2% (4.349 profissionais) s\u00e3o homens e 640 (12,8% do total) s\u00e3o mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando avalia-se quem tem ao menos 30% dos funcion\u00e1rios em cargos de lideran\u00e7a (conselhos e diretoria) do sexo feminino, vemos que apenas 7,46% do total (ou 22 empresas das 295) est\u00e3o nessa posi\u00e7\u00e3o. Entre aquelas que t\u00eam um ter\u00e7o (33% para cima), o n\u00famero se estreita ainda mais: s\u00e3o apenas 16 da amostra.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas duas empresas possuem metade (50%) dos profissionais na lideran\u00e7a homens e a outra metade mulheres. A Ampla Energia e Servi\u00e7os tem 16 profissionais na lideran\u00e7a (oito homens e oito mulheres) e a petroleira OSX possui dois homens e duas mulheres). Nenhuma tem a maioria da lideran\u00e7a do sexo feminino, ou seja, mais de 50% de mulheres em rela\u00e7\u00e3o ao total de profissionais nessas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que a pandemia acelerou a mudan\u00e7a. \u201cDe um ano para c\u00e1, o processo de olhar para diversidade no ambiente corporativo cresceu muito. Discuss\u00f5es sobre diversidade de g\u00eanero, ra\u00e7a, LGBTQ+ e inclus\u00e3o de minorias, como pessoas com defici\u00eancia entraram na pauta e comit\u00eas e \u00e1reas foram criadas para tratar disso\u201d, diz Val\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano passado, o IBGC lan\u00e7ou uma agenda positiva de governan\u00e7a e um dos pilares foi refor\u00e7ar a import\u00e2ncia da diversidade e inclus\u00e3o para aos executivos de alto escal\u00e3o. O instituto tamb\u00e9m passou a se preocupar internamente, garantindo que tenha equidade de g\u00eanero no quadro de professores de seus cursos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste hoje uma press\u00e3o da sociedade e dos investidores nacionais e internacionais, muito ligada \u00e0 onda ESG [sigla que se refere \u00e0 par\u00e2metros de sustentabilidade &#8211; ambiental, social e governan\u00e7a corporativa]. E esse movimento veio pra ficar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m identificou que 43,3% das 640 profissionais do sexo feminino em cadeiras de lideran\u00e7a ocupam posi\u00e7\u00f5es em conselhos de administra\u00e7\u00e3o. Um quarto (26,3%) est\u00e3o em conselhos fiscais. Na diretoria s\u00e3o 27,8% (ou 178 profissionais). Quando analisadas mulheres que ocupam ao mesmo tempo cargo na diretoria e no conselho de administra\u00e7\u00e3o s\u00e3o apenas 17 pessoas ou 2,7% do total.<\/p>\n\n\n\n<p>Avaliando as mulheres apenas em diretoria, apenas tr\u00eas das 178 mulheres (1,7% do total) s\u00e3o apontados no formul\u00e1rio de refer\u00eancia como diretora-presidente ou superintendente e outras cinco (2,8%) como vice-presidente. Dezesseis (9%) s\u00e3o diretoras de rela\u00e7\u00f5es com investidores e tr\u00eas diretoras financeiras e de rela\u00e7\u00f5es com investidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cargos mais comuns s\u00e3o administradoras de empresas, advogadas, economistas, engenheiras e contadoras. Em termos de idade, as mulheres em conselhos de administra\u00e7\u00e3o t\u00eam cerca de 52 anos, as de conselhos fiscais, 53 anos e as que est\u00e3o em cargos de diretoria, 48 anos. Em conselho de administra\u00e7\u00e3o, a mais jovem tem 26 anos e a mais velha, 86. Em conselho fiscal as idades variam de 24 anos a 82 e em diretoria, de 29 a 73 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dia de mulheres que ocupam cargo no conselho fiscal (12,86%) entre as empresas avaliadas \u00e9 maior do que a m\u00e9dia de profissionais do sexo feminino no conselho de administra\u00e7\u00e3o (12.76%) e que ocupam cargo na diretoria (11,65%).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar separadamente a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na lideran\u00e7a por categoria que as empresas est\u00e3o na B3, percebe-se que as companhias que est\u00e3o no mais alto em termos de exig\u00eancias de boa governan\u00e7a corporativa e transpar\u00eancia s\u00e3o as que tem maior fatia de mulheres em postos mais altos. Das 640 mulheres em cargos de lideran\u00e7a, 301 trabalham em companhias que est\u00e3o no Novo Mercado. Dessas, 67% (ou 428) foram eleitas a seus cargos pelo acionista controlar da companhia, conforme informa\u00e7\u00f5es que as pr\u00f3prias empresas preenchem no formul\u00e1rio de refer\u00eancia exigido pela CVM. Apenas 212 (33%) est\u00e3o em suas posi\u00e7\u00f5es por outros meios que n\u00e3o a indica\u00e7\u00e3o dos maiores s\u00f3cios. Das 301 mulheres na lideran\u00e7a em empresas do Novo Mercado, 178 s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es dos controladores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para definir o escopo das empresas eleg\u00edveis para o estudo, o IBGC considerou companhias de capital aberto dos n\u00edveis Bolsa, Bovespa N\u00edvel 1, Bovespa N\u00edvel 2 e Novo Mercado da B3. Tamb\u00e9m foram apenas consideradas companhias em fase operacional e que da categoria A pela defini\u00e7\u00e3o da CVM (Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios), ou seja, que s\u00e3o mais exigidas na divulga\u00e7\u00e3o de dados e transpar\u00eancia. Foram exclu\u00eddas as que est\u00e3o em fase pr\u00e9-operacional, em recupera\u00e7\u00e3o judicial, recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial ou com opera\u00e7\u00f5es paralisadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mat\u00e9ria na \u00edntegra  de Naiara Bert\u00e3o &#8211; Valor<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Naiara Bert\u00e3o Pesquisa mostra que um quarto das empresas listadas na bolsa n\u00e3o tem nenhuma mulher em cargo de lideran\u00e7a. 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