{"id":2269,"date":"2021-03-13T23:52:51","date_gmt":"2021-03-14T02:52:51","guid":{"rendered":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2269"},"modified":"2021-04-01T22:17:38","modified_gmt":"2021-04-02T01:17:38","slug":"mulheres-que-acham-que-nao-estao-a-altura-e-a-sindrome-da-impostora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2269","title":{"rendered":"Mulheres que acham que n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura. \u00c9 a \u2018s\u00edndrome da impostora\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/begona-gomez-urzaiz\/\">BEGO\u00d1A G\u00d3MEZ URZAIZ<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima vez que a psicoterapeuta Anne de Montarlot se sentiu paralisada pela&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/13\/estilo\/1489414564_421859.html#:~:text=Todas%20padecem%20do%20que%20se,ter%20direito%20a%20esse%20reconhecimento.\" target=\"_blank\">s\u00edndrome da impostora<\/a>&nbsp;foi justamente quando come\u00e7ou a redigir, com a jornalista \u00c9lisabeth Cadoche, um livro chamado&nbsp;<em>A S\u00edndrome da Impostora<\/em>, que acaba de ser publicado na Espanha pela&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.planeta.es\/es\/ediciones-pen%C3%ADnsula\" target=\"_blank\">editora Pen\u00ednsula<\/a>. \u201cMesmo tendo muita experi\u00eancia e j\u00e1 termos feito mais de 100 entrevistas sobre o tema e muita pesquisa, imediatamente comecei a questionar minha habilidade para escrever este livro. Menos mal que n\u00f3s duas conversamos e pude seguir adiante\u201d, reflete.<\/p>\n\n\n\n<p>No momento de procurar depoimentos para esta reportagem, surgiu v\u00e1rias vezes a mesma resposta: \u201cClaro que sofro da s\u00edndrome da impostora, mas n\u00e3o sei se sou a pessoa mais indicada para falar. Certamente outra pessoa pode faz\u00ea-lo melhor\u201d. Isso foi dito por mulheres de&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/mujeres\/\" target=\"_blank\">\u00e2mbitos profissionais muito diferentes<\/a>&nbsp;e de idades diversas, alinhadas com a tese principal do livro de Cadoche e Montarlot, que afirma que essa sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua, de sentir-se pouco preparado para assumir uma responsabilidade seja ela qual for,&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/mujeres\/\" target=\"_blank\">\u00e9 feminina e transversal<\/a>. \u201cQuando uma mulher fracassa em algo pensa que n\u00e3o tem valor e, se triunfa, pensa que teve sorte. Quando os homens fracassam, por outro lado, t\u00eam uma lista de desculpas, seja um chefe r\u00edgido e que h\u00e1 uma crise mundial. Os homens externalizam o fracasso e as mulheres externalizam o sucesso\u201d, resume Cadoche por videoconfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito foi criado por duas psic\u00f3logas cl\u00ednicas norte-americanas em 1978.&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-02-05\/autoestima-e-uma-questao-de-idade-para-as-mulheres.html\" target=\"_blank\">Pauline Rose Clance e Suzanne Imes<\/a>&nbsp;condensaram a ideia de que, apesar de acumular conquistas acad\u00eamicas e profissionais, as mulheres continuam a acreditar que na verdade n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o brilhantes e que foi tudo armado para enganar os que pensam o contr\u00e1rio. Mais tarde, autoras como Jessamy Hibberd e Valerie Young finalizaram a defini\u00e7\u00e3o do conceito. Hibberd incidiu na diferen\u00e7a entre a falta de confian\u00e7a em si mesmo e a s\u00edndrome do impostor \u2013 para quem sofre da segunda, escreveu, \u201ca queda \u00e9 inevit\u00e1vel. Quando atingir seu objetivo, subvalorizar\u00e1 seu sucesso\u201d.&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/28\/eps\/1548672505_550375.html\" target=\"_blank\">A s\u00edndrome \u00e9 sist\u00eamica<\/a>, opinam v\u00e1rias especialistas, faz parte do arcabou\u00e7o patriarcal: as mulheres s\u00e3o condicionadas com a socializa\u00e7\u00e3o \u2013 se espera delas menos agressividade e uma ambi\u00e7\u00e3o menos \u00f3bvia \u2013 e por sua vez n\u00e3o s\u00e3o representadas em \u00e2mbitos de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma consequ\u00eancia da s\u00edndrome \u00e9 que&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-03-08\/politica-e-sim-coisa-de-mulher-e-temos-provas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">as mulheres se autoexcluem e deixam de ocupar espa\u00e7os<\/a>&nbsp;que poderiam caber a elas. Carlos Orqu\u00edn foi produtor em v\u00e1rias etapas em programas da&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/radio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">R\u00e1dio Barcelona<\/a>. Um de seus trabalhos \u00e9 encontrar participantes nos debates. Quer fazer conversas parit\u00e1rias, mas os n\u00fameros n\u00e3o batem. Quando chama homens, quase 100% dizem que sim. Elas respondem que se veem capacitadas para falar da \u00e1rea em que s\u00e3o especialistas, mas n\u00e3o de abordar qualquer tema de atualidades que apare\u00e7a, como \u00e9 exigido nas conversas generalistas. \u201c\u00c9 exigido uma opini\u00e3o abalizada, impor sua vis\u00e3o de como deveriam ser as coisas, e os homens est\u00e3o mais acostumados a faz\u00ea-lo\u201d, opina.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/laura-nuno-gomez\/\" target=\"_blank\">Laura G\u00f3mez<\/a>&nbsp;\u00e9 uma dessas mulheres que disseram \u201cn\u00e3o\u201d muitas vezes. Gestora de redes, jogadora e especialista em videogames, costuma recusar ir a encontros de sua \u00e1rea, entrevistas e apresenta\u00e7\u00f5es de livros coletivos dos quais participa. \u201cO sentimento de n\u00e3o estar suficientemente preparada \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas que abandonei o setor de videogames. Nas esferas masculinizadas, a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser suficiente se multiplica por mil: exigem das mulheres o triplo de rendimento e o triplo de capacidade. Exigem que sejamos pioneiras e excelentes para ganharmos o status de iguais\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A produtora de cinema Esther Fern\u00e1ndez recebeu a oferta de dar aulas na escola em que ela mesma estudou, a&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/escac.com\/\" target=\"_blank\">ESCAC<\/a>. Aceitou, mas entrou em p\u00e2nico. \u201cTinha ins\u00f4nia, suava. Inventei uma desculpa para que colocassem minhas aulas para o pr\u00f3ximo semestre. Sentia que n\u00e3o tinha nada a oferecer porque n\u00e3o havia produzido filmes de 30 milh\u00f5es de euros (198 milh\u00f5es de reais). Por fim, precisei falar com um coach para que me ajudasse a processar e conseguir faz\u00ea-lo\u201d. Por outro lado, Esther Lozano, ca\u00e7a-talentos da&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.zinettica.com\/es\" target=\"_blank\">Zinettica<\/a>, empresa que seleciona candidatos para postos de dire\u00e7\u00e3o que costumam superar os 100.000 euros (660.000 reais) de sal\u00e1rio, n\u00e3o costuma encontrar mulheres que se autoexcluam dos processos de sele\u00e7\u00e3o. \u201cO fato de que elas possam verbalizar d\u00favidas quando pedem conselhos em privado \u00e9 outra coisa, mas quando contatamos mulheres para postos importantes, sempre expressam de maneira muito clara que se sentem capazes\u201d. Nos \u00faltimos dois anos, diz, encontrou trabalho a 56 cargos, 27 deles mulheres. Segundo Cadoche, isso se deve a que as mulheres com a s\u00edndrome sequer chegam a estar nesse processo. \u201cPensam: \u2018Pedem seis requisitos e s\u00f3 cumpro cinco. N\u00e3o falo noruegu\u00eas fluentemente\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Cadoche e Montarlot incluem em seu livro cita\u00e7\u00f5es da ex-ministra da Sa\u00fade e fil\u00f3sofa francesa Simone Veil \u2013 convencida de que qualquer dia a tirariam do Governo (\u201cVou cometer um grande erro e me enviar\u00e3o de volta \u00e0 magistratura\u201d) \u2013,&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/michelle-obama\/\" target=\"_blank\">Michelle Obama<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/sheryl-kara-sandberg\/\" target=\"_blank\">Sheryl Sandberg<\/a>, n\u00famero dois do Facebook e autora de&nbsp;<em>Fa\u00e7a Acontecer &#8211; Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar<\/em>&nbsp;(Companhia das Letras), considerado o manifesto fundacional do ramo mais corporativo e liberal do feminismo na d\u00e9cada passada. A ex-chanceler alem\u00e3 Angela Merkel, a atriz Meryl Streep e a escritora Margaret Atwood tamb\u00e9m confessam ter se sentido impostoras. Para as autoras de&nbsp;<em>A S\u00edndrome da Impostora<\/em>, esse foi um ponto de partida: se at\u00e9 elas algumas vezes haviam se sentido uma fraude, o que as outras n\u00e3o pensariam.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem, entretanto, vozes que questionam a \u00eanfase nessa quest\u00e3o. \u201cA s\u00edndrome da impostora dirige nosso olhar \u00e0s mulheres, em vez de centrar-se em consertar os locais de trabalho\u201d, argumentam as ativistas e jornalistas Ruchika Tulshyan e Jodi-Ann em um artigo de fevereiro na revista&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2021-03-10\/oito-relacoes-para-melhorar-a-resiliencia-no-trabalho.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Harvard Business Review<\/em><\/a>. A chamada s\u00edndrome, afirmam, n\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de patologia psicol\u00f3gica: se deve a que&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/machismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o sistema est\u00e1 projetado para excluir as mulheres<\/a>, principalmente se n\u00e3o s\u00e3o brancas, de classe m\u00e9dia e de capacidades padr\u00e3o, e \u00e9 diagnosticada especialmente em entornos t\u00f3xicos que valorizam o individualismo antes das conquistas coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazer esfor\u00e7os para superar o complexo, argumenta Christina Bard, especialista em hist\u00f3ria dos feminismos, n\u00e3o deveria ser mais uma tarefa na longa lista de coisas por fazer que costumam atrelar \u00e0s mulheres. \u201cElas n\u00e3o s\u00f3 sofrem discrimina\u00e7\u00e3o como as culpamos ao insinuar que, se tivessem mais arrojo e confian\u00e7a em si mesmas, n\u00e3o teriam esses problemas\u201d. Talvez seja o sistema, conclui, que precisa de coaching.<\/p>\n\n\n\n<p>Link do artigo na \u00edntegra:<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2021-03-13\/mulheres-que-acham-que-nao-estao-a-altura-e-a-sindrome-da-impostora.html\">https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2021-03-13\/mulheres-que-acham-que-nao-estao-a-altura-e-a-sindrome-da-impostora.html<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BEGO\u00d1A G\u00d3MEZ URZAIZ A \u00faltima vez que a psicoterapeuta Anne de Montarlot se sentiu paralisada pela&nbsp;s\u00edndrome da impostora&nbsp;foi justamente quando come\u00e7ou a redigir, com a jornalista \u00c9lisabeth Cadoche, um livro chamado&nbsp;A S\u00edndrome da Impostora, que acaba de ser publicado na Espanha pela&nbsp;editora Pen\u00ednsula. \u201cMesmo tendo muita experi\u00eancia e j\u00e1 termos feito mais de 100 entrevistas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":2273,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":["post-2269","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2269"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2269\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}