{"id":2319,"date":"2021-04-04T00:59:12","date_gmt":"2021-04-04T03:59:12","guid":{"rendered":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2319"},"modified":"2021-04-04T00:59:16","modified_gmt":"2021-04-04T03:59:16","slug":"as-origens-do-ensino-por-competencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2319","title":{"rendered":"As origens do ensino por compet\u00eancias"},"content":{"rendered":"\n<p>O ensino por compet\u00eancias \u00e9 praticado em outras partes do mundo, como a Europa. Neste continente, a metodologia foi impulsionada pelas pol\u00edticas educacionais defendidas pela Unesco e OCDE e tamb\u00e9m pela Declara\u00e7\u00e3o de Bolonha (compromisso assinado por ministros de Educa\u00e7\u00e3o de dezenas de pa\u00edses para reformar o sistema de ensino superior).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas tr\u00eas frentes tratam a educa\u00e7\u00e3o como elemento crucial para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social, como destaca o estudo publicado na Revista Francesa de Pedagogia. O texto \u00e9 assinado por Christian Chauvign\u00e9 e Jean-Claude Coulet, pesquisadores da Universidade Rennes-Haute Bretagne.<\/p>\n\n\n\n<p>A OCDE criou at\u00e9 um projeto espec\u00edfico para o tema \u2013 o Programa para a Avalia\u00e7\u00e3o Internacional das Compet\u00eancias dos Adultos (PIAAC) \u2013 sob o argumento de que os governos precisam de uma vis\u00e3o clara sobre como seus cidad\u00e3os est\u00e3o se capacitando com as compet\u00eancias exigidas no s\u00e9culo 21. Austr\u00e1lia, \u00c1ustria, Canad\u00e1, Rep\u00fablica Checa, Dinamarca, Finl\u00e2ndia, Fran\u00e7a, Alemanha, Jap\u00e3o, It\u00e1lia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos s\u00e3o alguns dos pa\u00edses que j\u00e1 participaram do estudo, cujos resultados mostram, nas palavras da OCDE, que \u201co que as pessoas sabem e o que elas fazem com o que sabem exerce um grande impacto sobre suas oportunidades de vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Do campo de influ\u00eancias mais pr\u00e1ticas, destaca-se o projeto Tuning, patrocinado pela Comiss\u00e3o Europeia e aderido por dezenas de universidades com o objetivo de desenvolver nos alunos compet\u00eancias gerais e espec\u00edficas da profiss\u00e3o. Elas s\u00e3o trabalhadas de forma transversal e avaliadas ao longo dos programas de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para identificar as compet\u00eancias gerais, uma comiss\u00e3o entrevistou profissionais, empregadores e professores de v\u00e1rios pa\u00edses europeus e depois as dividiu em tr\u00eas partes: compet\u00eancias instrumentais, interpessoais e sist\u00eamicas. O mesmo exerc\u00edcio foi feito para identificar as espec\u00edficas de cada campo de estudos ou atua\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>As universidades de Gothenburg (Su\u00e9cia), Deusto (Espanha), Aveiro (Portugal) e a Helsinque (Finl\u00e2ndia) s\u00e3o algumas que aderiram, bem como a Universidade de Lyon 2 \/ Universit\u00e9 des Sciences et Technologies de Lille (Fran\u00e7a), Universidade de Ci\u00eancias Aplicadas Osnabr\u00fcck (Alemanha), entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas elas trabalham com a mesma metodologia para manter a possibilidade de interc\u00e2mbio \u2013 ponto central do sistema educacional europeu. Esse aspecto \u00e9 o que justifica a manuten\u00e7\u00e3o da estrutura por disciplinas, compensada pela abordagem que coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A experi\u00eancia norte-americana<\/h2>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, o ensino por compet\u00eancias tamb\u00e9m est\u00e1 em ascens\u00e3o. As universidades que est\u00e3o trabalhando com o modelo fragmentaram os cursos em m\u00f3dulos e os tornaram independentes. Os alunos fazem os m\u00f3dulos na ordem que desejarem \u2013 e no tempo deles. Enquanto n\u00e3o comprovar por meio de projetos, provas e apresenta\u00e7\u00f5es que a compet\u00eancia em quest\u00e3o foi adquirida, o estudante n\u00e3o segue adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo publicado por Dan Berret no site&nbsp;<em>Chronicle of Higher Education<\/em>&nbsp;mostra que os primeiros esbo\u00e7os da metodologia remontam a 1970, mas que foi no final da d\u00e9cada de 1990 que ela ganhou popularidade. A Western Governors University \u00e9 uma das pioneiras. Seus cursos s\u00e3o a dist\u00e2ncia e re\u00fanem 62 mil alunos. Em 1991, eles somavam 71 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Southern New Hampshire University \u00e9 outra institui\u00e7\u00e3o de destaque, pois foi a primeira a receber financiamento governamental tendo como base o progresso dos alunos, e n\u00e3o o n\u00famero de cr\u00e9ditos acumulados por eles.<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o dessas e outras institui\u00e7\u00f5es foi mencionada por Barack Obama em um discurso realizado em 2013. Entre outros pontos, ele disse que as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior precisavam inovar em seus modelos e citou o aprendizado por compet\u00eancias com um meio interessante de prover qualifica\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas de modo mais r\u00e1pido e, consequentemente, mais barato.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00eamicas<\/h2>\n\n\n\n<p>Alguns enxergam a tend\u00eancia do ensino por compet\u00eancias como uma submiss\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o aos interesses econ\u00f4micos. Outros a veem como um modelo que reconhece o papel da educa\u00e7\u00e3o no desenvolvimento econ\u00f4mico, caracter\u00edstica que n\u00e3o prejudica sua fun\u00e7\u00e3o de emancipadora social.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores franceses Christian Chauvign\u00e9 e Jean-Claude Coulet afirmam que a disc\u00f3rdia entre os apoiadores e detratores da metodologia n\u00e3o se esgota a\u00ed. Os primeiros refor\u00e7am que ela propicia a constru\u00e7\u00e3o de saberes, ajuda a identificar as qualifica\u00e7\u00f5es desenvolvidas e permite aos alunos se reapropriar do percurso formativo. Os cr\u00edticos, contudo, acham que ela reduz a educa\u00e7\u00e3o a fins utilitaristas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse debate tamb\u00e9m se deve \u00e0 multiplicidade de modelos e \u00e0s muta\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas causadas pela reestrutura\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios setores produtivos, pelo remodelamento das profiss\u00f5es e pela evolu\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o estudo da Universidade Rennes 2-Haute Bretagne, hoje se espera do indiv\u00edduo que ele tome iniciativa, se adapte, seja aut\u00f4nomo na realiza\u00e7\u00e3o de tarefas, evolua continuamente e, inclusive, mude de profiss\u00e3o ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Autor <a href=\"https:\/\/revistaensinosuperior.com.br\/author\/marina-kuzuyabu\/\">Marina Kuzuyabu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ensino por compet\u00eancias \u00e9 praticado em outras partes do mundo, como a Europa. 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