{"id":2322,"date":"2021-04-04T01:19:07","date_gmt":"2021-04-04T04:19:07","guid":{"rendered":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2322"},"modified":"2021-04-04T01:19:09","modified_gmt":"2021-04-04T04:19:09","slug":"diretor-da-ocde-andreas-schleicher-a-visao-dos-jovens-sobre-o-futuro-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2322","title":{"rendered":"Diretor da OCDE, Andreas Schleicher: a vis\u00e3o dos jovens sobre o futuro profissional"},"content":{"rendered":"\n<p>Especialista revela que adolescentes de v\u00e1rias partes do mundo est\u00e3o decidindo seu futuro profissional sem levar em conta as transforma\u00e7\u00f5es do mundo do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida de milh\u00f5es de pessoas ser\u00e1 impactada com as mudan\u00e7as em curso no mercado de trabalho, alertam especialistas das mais variadas \u00e1reas. V\u00e1rias profiss\u00f5es est\u00e3o \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o, enquanto outras tantas est\u00e3o sendo criadas, muitas vezes sem que haja profissionais em n\u00famero suficiente para exerc\u00ea-las. Essas previs\u00f5es fartamente divulgadas e debatidas, contudo, ainda n\u00e3o influenciaram os adolescentes em vias de decidir sobre seu futuro profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>L<strong>eia:\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=2323&amp;preview=true&amp;_thumbnail_id=2324\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Mais de 40% dos jovens com diploma ocupam fun\u00e7\u00f5es incompat\u00edveis com sua escolaridade<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo recente divulgado pela OCDE mostra que os adolescentes aspiram a basicamente 10 profiss\u00f5es, todas elas dos s\u00e9culos 19 e 20 \u2013 e muitas sob o s\u00e9rio risco de serem automatizadas, observa Andreas Schleicher, diretor da \u00e1rea de Educa\u00e7\u00e3o da OCDE. Nascido na Alemanha, Schleicher tem forma\u00e7\u00e3o em F\u00edsica, Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica e se notabilizou pela cria\u00e7\u00e3o do PISA, o teste internacional de aprendizagem aplicado em dezenas de pa\u00edses, incluindo o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ensino Superior<\/strong>&nbsp;sobre o relat\u00f3rio<em><a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/education\/dream-jobs-teenagers-career-aspirations-and-the-future-of-work.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dream jobs: Teenagers\u2019 career aspirations and the future of work<\/a><\/em><a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/education\/dream-jobs-teenagers-career-aspirations-and-the-future-of-work.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">,<\/a>&nbsp;o especialista afirma que os adolescentes precisam de orienta\u00e7\u00e3o de carreira e maior inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho para ampliarem seus repert\u00f3rios e suas escolhas profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O material traz dados de 41 pa\u00edses e foi compilado a partir de respostas coletadas na aplica\u00e7\u00e3o do PISA. Um dado que chamou a aten\u00e7\u00e3o de Schleicher foi a baixa ambi\u00e7\u00e3o de muitos jovens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade dos estudos. Esse fato \u00e9 particularmente verdadeiro para os adolescentes mais pobres e se confirma mesmo entre os que v\u00e3o bem no PISA. O levantamento tamb\u00e9m mostrou a influ\u00eancia dos estere\u00f3tipos de g\u00eanero. No Brasil, por exemplo, as meninas s\u00e3o menos propensas a seguir carreira nas \u00e1reas de ci\u00eancia e engenharia, ainda que tenham bom desempenho em ci\u00eancias e matem\u00e1tica. Todas essas quest\u00f5es precisam ser enfrentadas, acredita o especialista da OCDE.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/revistaensinosuperior.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/diretor-ocde-300x200.jpg\" alt=\"OCDE jovens\" class=\"wp-image-531623\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas crian\u00e7as brasileiras de 15 anos de idade t\u00eam expectativas irreais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade de seus estudos\u201d (foto: divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O relat\u00f3rio aponta que as aspira\u00e7\u00f5es de carreira dos adolescentes s\u00e3o estreitas, irreais e distorcidas por quest\u00f5es sociais e de g\u00eanero. Esta conclus\u00e3o se aplica a todos os pa\u00edses analisados, em geral?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, h\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o significativa entre os pa\u00edses. Por exemplo, no Brasil e na Indon\u00e9sia, dois ter\u00e7os ou mais dos jovens de 15 anos aspiram a apenas 10 ocupa\u00e7\u00f5es, muitas delas empregos do s\u00e9culo 19 ou 20, e n\u00e3o os empregos do s\u00e9culo 21 com maior potencial de crescimento. Por outro lado, os jovens na Alemanha e na Su\u00ed\u00e7a buscam uma gama muito maior de ocupa\u00e7\u00f5es, e talvez isso seja reflexo da for\u00e7a da orienta\u00e7\u00e3o profissional e da exposi\u00e7\u00e3o ao mundo do trabalho nesses pa\u00edses, o que ajuda os jovens a tomar decis\u00f5es mais embasadas, desde a tenra idade, sobre os programas de educa\u00e7\u00e3o e treinamento vocacional que planejam seguir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A prefer\u00eancia dos jovens por profiss\u00f5es que correm s\u00e9rios riscos de automa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno de pa\u00edses menos desenvolvidos, tendo em vista os dados do Jap\u00e3o e da Alemanha. \u00c9 poss\u00edvel dizer que os jovens, em geral, n\u00e3o est\u00e3o cientes das mudan\u00e7as do mercado de trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses nesse tema da prefer\u00eancia dos jovens por empregos em risco de automa\u00e7\u00e3o. No Jap\u00e3o e Eslov\u00e1quia, at\u00e9 metade dos empregos que os jovens pretendem realizar est\u00e3o em risco de automa\u00e7\u00e3o e isso est\u00e1 relacionado \u00e0 estrutura das economias. E, sim, parece que o que sabemos sobre o futuro do trabalho n\u00e3o entra nas experi\u00eancias e aspira\u00e7\u00f5es dos jovens. E isso \u00e9 uma desvantagem para os jovens com maior probabilidade de optar por empregos com alto risco de automa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As aspira\u00e7\u00f5es dos jovens brasileiros est\u00e3o fortemente concentradas em 10 carreiras, como mostra o estudo. Como isso afeta o mercado de trabalho e o desenvolvimento do Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, a maioria das meninas brasileiras quer se tornar professora ou m\u00e9dica, profissionais que elas v\u00eam ao seu redor. Voc\u00ea pode se perguntar se 15 anos \u00e9 uma idade em que os jovens conseguem ter uma ideia sobre seu futuro. Mas o ponto \u00e9 que algumas das decis\u00f5es de carreira mais importantes n\u00e3o s\u00e3o tomadas no final da escolaridade, quando falamos sobre essas coisas, mas na escola prim\u00e1ria. Esse \u00e9 o momento em que descobrimos se a escola \u00e9 uma experi\u00eancia significativa, quanto tempo e energia vamos dedicar ao aprendizado e quais campos de estudo vamos empenhar nossos maiores esfor\u00e7os. Tudo isso molda profundamente as oportunidades que teremos na vida. A idade de 15 anos tamb\u00e9m \u00e9 uma \u00e9poca em que os modelos e a exposi\u00e7\u00e3o ao mundo do trabalho s\u00e3o extremamente influentes. Se voc\u00ea nunca conheceu um engenheiro, por que estudaria bastante matem\u00e1tica ou ci\u00eancias desde cedo na vida? \u00c9 dif\u00edcil ser o que voc\u00ea n\u00e3o pode ver.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na an\u00e1lise da porcentagem de jovens com alto desempenho no PISA e que n\u00e3o esperam concluir o ensino superior, podemos observar um alto n\u00edvel de descren\u00e7a entre os alunos mais pobres. Entre eles, quase 30% n\u00e3o acredita na possibilidade de concluir o ensino superior, enquanto entre os alunos mais ricos esse percentual \u00e9 inferior a 10%. Isso explica o aprofundamento das desigualdades sociais no mundo todo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, uma das coisas que mais me impressionou foi o fato de haver muitos estudantes de alto desempenho e com baixas expectativas de carreira. Voc\u00ea pode ver que os que alcan\u00e7am altos n\u00edveis nem sempre t\u00eam objetivos altos. E jovens de alto desempenho e com origens desfavorecidas t\u00eam quatro vezes menos chances de manter altas aspira\u00e7\u00f5es educacionais e ocupacionais do que colegas com desempenho semelhante, mas com origem social mais privilegiada. Isso pode se tornar uma profecia autorrealiz\u00e1vel, a menos que os sistemas escolares sejam melhores em expor os jovens a uma gama mais ampla de realidades fora da escola.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas a base social que distorce as expectativas de carreira. Meninos e meninas que t\u00eam resultados de aprendizagem semelhantes no PISA podem ter expectativas de carreira muito diferentes. Entre os de alto desempenho em matem\u00e1tica ou ci\u00eancias, observa-se que os meninos s\u00e3o muito mais propensos do que as meninas a manifestar interesse em se tornar profissionais de ci\u00eancias ou engenharia. O inverso era verdadeiro para carreiras relacionadas \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>E, novamente, muitos adolescentes desfavorecidos, e principalmente os meninos, antecipam a busca de empregos com alto risco de serem automatizados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em pa\u00edses como Brasil, M\u00e9xico, Argentina e Singapura, essa diferen\u00e7a mencionada anteriormente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o marcante. Ou seja, os alunos com alto desempenho no PISA, de origem social vantajosa ou desvantajosa, t\u00eam proje\u00e7\u00f5es semelhantes em rela\u00e7\u00e3o ao ensino superior. O que isso revela sobre esses pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De fato, h\u00e1 disparidades menores, mas, ao mesmo tempo, muitas crian\u00e7as brasileiras de 15 anos de idade t\u00eam expectativas irreais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade de seus estudos, ou seja, expectativas que n\u00e3o s\u00e3o sustentadas pelo desempenho escolar. Isso pode ser reflexo do fato de que os jovens n\u00e3o t\u00eam ou n\u00e3o conhecem alternativas ao ensino universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que na Alemanha quase 30% dos alunos de alto desempenho no PISA e de origem social privilegiada n\u00e3o esperam concluir o ensino superior? Considerando que quase 30% deles manifestaram o desejo de ter uma profiss\u00e3o e\/ou ocupar cargos gerenciais, seria poss\u00edvel dizer que os jovens alem\u00e3es est\u00e3o julgando o diploma desnecess\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, na Alemanha os jovens t\u00eam muitas alternativas interessantes ao diploma universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O estudo aponta que um orientador de carreira na escola refor\u00e7a para os jovens a rela\u00e7\u00e3o entre a dedica\u00e7\u00e3o aos estudos e a conquista de um bom emprego no futuro. Os consultores de carreira tamb\u00e9m ampliam a vis\u00e3o dos alunos sobre as possibilidades profissionais. Ter esses profissionais nas escolas seria, portanto, um bom investimento para o desenvolvimento econ\u00f4mico dos pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, uma orienta\u00e7\u00e3o profissional eficaz pode incentivar os alunos a refletir sobre quem eles s\u00e3o e quem desejam se tornar, e tamb\u00e9m a pensar criticamente sobre as rela\u00e7\u00f5es entre suas escolhas educacionais e a vida futura. A experi\u00eancia do mundo do trabalho pode dar aos jovens a oportunidade de aplicar suas habilidades e conhecimentos em novas situa\u00e7\u00f5es. A viv\u00eancia tamb\u00e9m os desafia a entender o que significa ser pessoalmente eficaz e tamb\u00e9m atraente para os empregadores e, ao mesmo tempo, oferece oportunidades para desenvolver redes sociais de valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os jovens veem pessoas que fazem trabalhos diferentes, aprendem a enxergar al\u00e9m dos estere\u00f3tipos baseados em g\u00eanero e classe e ampliam suas aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, atividades eficazes de desenvolvimento de carreira podem ajudar os jovens a entender melhor a rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e emprego e o que precisam fazer para alcan\u00e7ar seus objetivos. Mesmo quando a experi\u00eancia no local de trabalho \u00e9 limitada, as escolas podem replicar alguns dos benef\u00edcios positivos da exposi\u00e7\u00e3o em primeira m\u00e3o ao mundo do trabalho, por meio de <strong>programas de desenvolvimento de carreira.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Autor<a href=\"https:\/\/revistaensinosuperior.com.br\/author\/marina-kuzuyabu\/\">Marina Kuzuyabu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista revela que adolescentes de v\u00e1rias partes do mundo est\u00e3o decidindo seu futuro profissional sem levar em conta as transforma\u00e7\u00f5es do mundo do trabalho. A vida de milh\u00f5es de pessoas ser\u00e1 impactada com as mudan\u00e7as em curso no mercado de trabalho, alertam especialistas das mais variadas \u00e1reas. 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