{"id":5054,"date":"2023-07-23T03:24:15","date_gmt":"2023-07-23T06:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=5054"},"modified":"2023-07-23T03:24:28","modified_gmt":"2023-07-23T06:24:28","slug":"julimar-clemente-de-souza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=5054","title":{"rendered":"Julimar Clemente de Souza\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>Nome completo: <strong>Julimar Clemente de Souza&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nacionalidade: <strong>Brasileiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Forma\u00e7\u00e3o: <strong>Engenharia de Alimentos na Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ocupa\u00e7\u00e3o: <strong>Chief operating officer na Usina Santa Terezinha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Julimar Clemente de Souza \u00e9 um profissional brasileiro que atuou como Chief Operating Officer (COO) na Usina Santa Terezinha. Nasceu em 1965, em Pedreira, S\u00e3o Paulo, e cresceu mudando de cidade frequentemente devido ao trabalho do pai. Ingressou na faculdade federal, formando-se em Engenharia de Alimentos pela UFV em 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhou 15 anos na Cargill, desempenhando v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es e contribuindo na constru\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de moagem de milho. Enfrentou dificuldades, mas manteve-se resiliente. Ap\u00f3s denunciar irregularidades na empresa, foi equivocadamente demitido.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontrou uma nova oportunidade na Yara, onde reestruturou unidades em todo o pa\u00eds. Sua integridade e habilidades foram reconhecidas pelos colegas. Equilibrando t\u00e9cnica e \u00e9tica, alcan\u00e7ou resultados significativos em sua \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-amazon wp-block-embed-amazon\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Hist\u00f3rias de sucesso Vol.9: L\u00edderes inspiradores\" type=\"text\/html\" width=\"800\" height=\"550\" frameborder=\"0\" allowfullscreen style=\"max-width:100%\" src=\"https:\/\/ler.amazon.com.br\/kp\/card?preview=inline&#038;linkCode=kpd&#038;ref_=k4w_oembed_VaEReYwqfyhmCi&#038;asin=B0C8PSCHRT&#038;tag=kpembed-20\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Hist\u00f3ria publicada na Revista  Exame<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/equilibrio-entre-tecnica-e-carater-e-o-segredo-das-equipes-de-sucesso\/\">https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/equilibrio-entre-tecnica-e-carater-e-o-segredo-das-equipes-de-sucesso\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Equil\u00edbrio entre t\u00e9cnica e car\u00e1ter \u00e9 o segredo das equipes de sucesso<\/h1>\n\n\n\n<p>Na coluna desta semana, conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de Julimar Clemente De Souza, chief operation officer na Usina Santa Terezinha<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/ultimas-noticias\/\">Hist\u00f3rias de sucesso<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Publicado em&nbsp;23 de dezembro de 2022 \u00e0s,&nbsp;17h14.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Fabiana Monteiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sou filho de pai ferrovi\u00e1rio e m\u00e3e dona de casa. Por conta da profiss\u00e3o do meu pai, mud\u00e1vamos de cidade frequentemente. Nasci em 1965, em Pedreira, na regi\u00e3o de Campinas, S\u00e3o Paulo. At\u00e9 os meus 7 anos, morei em cinco lugares diferentes, todos em zonas rurais. S\u00f3 depois disso nos estabelecemos em uma \u00e1rea urbana, o munic\u00edpio de Guar\u00e1, pr\u00f3ximo a Ribeir\u00e3o Preto. De Guar\u00e1 fomos para S\u00e3o Joaquim da Barra e depois para Ribeir\u00e3o Preto, onde meu pai, Osmar de Souza, se aposentou e, finalmente, se fixou. Sou o ca\u00e7ula de tr\u00eas irm\u00e3os e o \u00fanico que conseguiu, com um esfor\u00e7o muito grande de toda a fam\u00edlia, chegar a uma faculdade federal. Ap\u00f3s meu terceiro ano de col\u00e9gio, este e todos os outros cursados em escolas p\u00fablicas, fiz um cursinho pr\u00e9-vestibular e consegui ser aprovado no curso de Engenharia de Alimentos na Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), em Minas Gerais, que fiz entre 1984 e 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sabia bem o que escolher. No cursinho cheguei at\u00e9 a fazer um teste vocacional e deu inconclusivo. Mas um colega de turma, que ia prestar vestibular em Vi\u00e7osa, convidou-me para fazer o mesmo. Perguntei as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis e a rela\u00e7\u00e3o candidato-vaga, e ele foi listando: \u201cEngenharia disso, 30 por vaga; Engenharia daquilo, 20 por vaga; Engenharia de Alimentos, tr\u00eas por vaga\u201d. Assim, de forma bem pragm\u00e1tica, fiz a minha op\u00e7\u00e3o. Tinha tudo para dar errado, mas olhando agora, n\u00e3o deu.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava pr\u00f3ximo de completar 19 anos quando deixei Ribeir\u00e3o Preto e fui para Vi\u00e7osa. Era 1984. Quando cheguei ao c\u00e2mpus, os veteranos me perguntavam qual era o meu curso. Ao responder que era Engenharia de Alimentos, eles davam risadas. E justificavam: \u201c\u00c9 o mais f\u00e1cil de entrar, mas o mais dif\u00edcil de concluir.\u201d E eles n\u00e3o estavam exagerando. Para aumentar ainda mais o desafio, infelizmente, com apenas 15 dias de faculdade, meu pai faleceu, v\u00edtima de um aneurisma, aos 46 anos, deixando vi\u00fava a minha m\u00e3e, Philomena Scigliano de Souza. Retornei para Ribeir\u00e3o Preto, e n\u00e3o mais queria fazer o caminho de regresso para a faculdade. Foram 25 dias de indecis\u00e3o. Mas n\u00e3o sou de deixar miss\u00f5es inconclusas. Retornei, em uma situa\u00e7\u00e3o ainda mais dif\u00edcil. Como perdi as primeiras provas, n\u00e3o atingi os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios para ser aprovado em seis de sete disciplinas. No segundo ano, em tr\u00eas; e, do terceiro ano para frente, eu me estabilizei emocionalmente. Coincidiu com o momento em que conheci uma garota, Cec\u00edlia Knychala, uma estudante de Tecnologia em Latic\u00ednios. Namoramos por cinco anos, h\u00e1 trinta nos casamos e hoje temos duas filhas: J\u00falia e Jade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O in\u00edcio da jornada em Uberl\u00e2ndia<\/h2>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo semestre da faculdade, uma amiga avisou sobre uma grande multinacional que estava com um processo de&nbsp;<em>trainee<\/em>&nbsp;aberto. Era a Cargill Agr\u00edcola S.A. Entre os pr\u00e9-requisitos para ser aprovado constavam \u201cestar formado\u201d e \u201cfalar ingl\u00eas\u201d. Naquele momento, n\u00e3o atendia nem um nem outro. Mesmo assim, fui passando pelas etapas de sele\u00e7\u00e3o at\u00e9 que chegou ao teste pr\u00e1tico de conversa\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas. Dei minhas justificativas e falei que, se me dessem a chance, eu investiria tempo, empenho e dinheiro para aprender r\u00e1pido. Achei que estava fora. Ainda assim, pediram para eu levar o meu diploma para avalia\u00e7\u00e3o. E eu todo sem jeito: \u201cEnt\u00e3o, a faculdade est\u00e1 em greve. Mas estou fazendo quatro disciplinas e j\u00e1 passei nas quatro.\u201d Para minha surpresa, mesmo assim fui aprovado. Originalmente, eram quatro vagas e acabaram chamando cinco&nbsp;<em>trainees<\/em>. Era uma precau\u00e7\u00e3o. Um ficaria pelo caminho e acreditavam que fosse eu, pela falta do ingl\u00eas. Assim comecei minha jornada profissional, em setembro de 1989, na cidade de Uberl\u00e2ndia, e ali ficaria pelos pr\u00f3ximos 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Seis meses depois, os cinco&nbsp;<em>trainees<\/em>&nbsp;aprovados, fomos enviados para os Estados Unidos para aprender um novo processo industrial. Inicialmente, tive dificuldades com o idioma, mas fui me virando, consegui interagir e voltei para o Brasil em condi\u00e7\u00f5es de igualdade de conhecimento, tanto que, ao final do programa de&nbsp;<em>trainee<\/em>, fui um dos quatro selecionados. Desse modo, participei da constru\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica totalmente diferenciada, que a Cargill inaugurou no Brasil, contando com automa\u00e7\u00e3o acima de 80%, raro na \u00e9poca. Ela se destinava \u00e0 moagem de milho por via \u00famida e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de amidos e ado\u00e7antes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali fui operador de campo, operador de painel, chefe de turno. Esse per\u00edodo compreende cerca de seis anos, quando trabalhei em hor\u00e1rio de revezamento e turno de seis por dois (trabalha-se seis dias e folga dois, e cada ciclo em um per\u00edodo diferente, ou seja, manh\u00e3, tarde e noite). Valorizo muito este meu sacrif\u00edcio, pois se deu no auge da minha juventude. Enquanto meus amigos estavam se preparando na sexta-feira ou no s\u00e1bado para sa\u00edrem e se divertirem, eu estava colocando meu uniforme e capacete para ir trabalhar, independentemente de ser feriado, Natal ou Ano-Novo. Foi uma entrega muito grande, mas mantive o foco, uma vez que sempre quis construir meu futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Do quinto para o sexto ano, cheguei a Supervis\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o. Por essa ocasi\u00e3o, percebi que o gerente que conhecia de manuten\u00e7\u00e3o era mais completo. Ent\u00e3o busquei uma oportunidade dentro da \u00e1rea de Manuten\u00e7\u00e3o. Enquanto todos os meus pares foram promovidos dentro da Produ\u00e7\u00e3o, andei de lado ao fazer esta op\u00e7\u00e3o. Fui ent\u00e3o ser supervisor na Manuten\u00e7\u00e3o, e l\u00e1 fiquei por mais de dois anos, e depois voltei para a Produ\u00e7\u00e3o, como gerente, encerrando meu ciclo de dez anos dentro daquela f\u00e1brica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo deste per\u00edodo, voltei para os Estados Unidos umas tr\u00eas vezes, passando por atualiza\u00e7\u00f5es. Dominava todo o processo e me sentia confort\u00e1vel. Mas quando fiquei sabendo que a Cargill estava abrindo uma unidade de processamento de \u00e1cido c\u00edtrico com uma tecnologia totalmente diferente, fui o primeiro a me candidatar. Assim, sa\u00ed da minha zona de conforto, ao iniciar na nova planta como respons\u00e1vel por contratar e treinar todos os operadores e supervisores e gerenciar todo o processo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Passaria quatro anos nesta nova unidade, tamb\u00e9m em Uberl\u00e2ndia. Neste per\u00edodo, a equipe americana que veio ajudar na constru\u00e7\u00e3o e start-up da planta em que me encontrava voltou para os Estados Unidos, onde construiriam uma f\u00e1brica de produ\u00e7\u00e3o de glucosamina org\u00e2nica. E eles me convidaram para ajud\u00e1-los no processo de start-up desta nova planta nos EUA. Minha gratid\u00e3o a Robert Nick Currie e a Bob Overstreet. Dessa maneira, retornei aos Estados Unidos, ficando de 2003 a 2004. Mas desta vez para morar com a minha fam\u00edlia, e em uma condi\u00e7\u00e3o muito diferente. Aprendi muito sobre aquela nova tecnologia, a cultura americana, e voltei para o Brasil. Mas seis meses depois, meu v\u00ednculo com a Cargill se encerrou definitivamente, pondo fim a este longo cap\u00edtulo de minha hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o mais do que cinco minutos<\/h2>\n\n\n\n<p>Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil encerrar longos relacionamentos. No meu caso com a Cargill foi traum\u00e1tico. Antes deste \u00faltimo embarque para os Estados Unidos, recebi uma den\u00fancia sobre uma empreiteira terceirizada &nbsp;que n\u00e3o estaria pagando o fundo de garantia de seus funcion\u00e1rios e que, de acordo com a den\u00fancia, tamb\u00e9m estava sendo beneficiada por alguns gestores. Levei a informa\u00e7\u00e3o primeiro ao nosso Recursos Humanos. Na persist\u00eancia da acusa\u00e7\u00e3o, apresentei ao meu chefe, que conduziu para o diretor do complexo industrial, que teria direcionado ao Comit\u00ea de \u00c9tica. Mudei para os EUA e l\u00e1, aproximadamente dez meses depois, fiquei sabendo da abertura de um processo administrativo em rela\u00e7\u00e3o ao caso. Fiquei aliviado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ao retornar ao Brasil, ap\u00f3s a conclus\u00e3o do processo administrativo que havia sido instaurado, passei ent\u00e3o por um processo demission\u00e1rio em fun\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o que tinha denunciado. Os meus superiores, a quem comuniquei o caso, n\u00e3o o levaram ao Comit\u00ea de \u00c9tica conforme tinham me falado que fariam e, na realidade, o processo administrativo teve in\u00edcio devido \u00e0 outra den\u00fancia feita diretamente a este \u00f3rg\u00e3o. Na comiss\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o do processo administrativo, criou-se o entendimento de que n\u00e3o me preocupei em acompanhar o desenrolar da den\u00fancia que eu havia feito a meus superiores, e n\u00e3o me certifiquei que eles tivessem levado a den\u00fancia ao Comit\u00ea de \u00c9tica. Fui desligado no mesmo dia do meu superior imediato, e isso me machucou bastante. N\u00e3o poderia afirmar se havia ou n\u00e3o interesses pr\u00f3prios, mas a minha demiss\u00e3o, junto a um poss\u00edvel envolvido, era, em meu entendimento, como se tivesse sido t\u00e3o incorreto quanto ele e o superior dele, que tamb\u00e9m havia sido demitido alguns meses antes, devido ao mesmo processo administrativo. Aquilo foi um divisor de \u00e1guas em minha vida. Estava emocionalmente fragilizado e pensei em encerrar minha carreira. Imaginava-me em uma entrevista de emprego e algu\u00e9m perguntando por que sa\u00ed da empresa anterior. Como iria explicar? Que minha ex-empresa achava que eu e meus superiores t\u00ednhamos uma rela\u00e7\u00e3o d\u00fabia com empreiteiras? Fiquei quatro meses sem ir ao mercado tentar um novo emprego, e, quando fui, n\u00e3o passaram duas semanas at\u00e9 ser chamado para a primeira entrevista. Era o dia do meu anivers\u00e1rio. Fui preparado para responder \u00e0 verdade sobre minha demiss\u00e3o, mas ningu\u00e9m me perguntou sobre os motivos da minha sa\u00edda. Dessa forma, fui contratado pela Yara, em 2005, uma empresa norueguesa, que tinha comprado a Adubos Trevo no Brasil. Eu n\u00e3o entendia nada de fertilizantes, mesmo assim, deixei Uberl\u00e2ndia depois de 15 anos e fui, com minha esposa e duas filhas crian\u00e7as, para o Rio Grande do Sul, onde escolhemos Gravata\u00ed para morar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sessenta dias depois da contrata\u00e7\u00e3o, fui almo\u00e7ar com um dos diretores da empresa, Lair Hanzen. Durante o cafezinho, ele me perguntou: \u201cJulimar, como a Cargill perdeu um profissional como voc\u00ea?\u201d. Neste momento, meus olhos encheram de l\u00e1grimas e respondi: \u201cSe voc\u00ea tiver tempo para ouvir, eu te conto.\u201d Ele quis, e durante duas horas narrei toda a hist\u00f3ria em detalhes. Ao final, pontuei: \u201cLair, na entrevista n\u00e3o me perguntaram, mas tamb\u00e9m n\u00e3o tive a iniciativa de contar. Depois do que ouviu, se tiver alguma d\u00favida sobre o meu car\u00e1ter, fique tranquilo que, ao voltarmos para o escrit\u00f3rio, assino o meu pedido de sa\u00edda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E eu jamais vou esquecer o que veio depois. Ele simplesmente olhou para mim, fixou-me bem no fundo dos meus olhos e arrematou: \u201cJulimar, eu te conhe\u00e7o apenas h\u00e1 dois meses. Mas precisaria apenas de cinco minutos para saber a pessoa que voc\u00ea \u00e9. A partir de agora, voc\u00ea tem muito mais a minha confian\u00e7a.\u201d Aquilo para mim foi uma liberta\u00e7\u00e3o, acima de tudo, que me curou de todas as d\u00favidas e receios que pesavam indevidamente sobre minhas costas. Minha gratid\u00e3o eterna ao Lair. Ficaria na Yara pelos pr\u00f3ximos dois anos, fazendo um trabalho extremamente importante de reestruturar todas as suas 18 unidades misturadoras espalhadas pelo Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de um ano fui promovido a&nbsp;<em>general manager<\/em>, mas com a necessidade de ter que mudar para a cidade portu\u00e1ria de Rio Grande, no extremo sul do Rio Grande do Sul, quase no Uruguai. A miss\u00e3o era fazer uma reestrutura\u00e7\u00e3o e alcan\u00e7amos um tremendo \u00eaxito. S\u00f3 que al\u00e9m de ter levado minha fam\u00edlia para outra cidade, viajava com frequ\u00eancia para participar de reuni\u00f5es. Estava perdendo os la\u00e7os com a minha fam\u00edlia, mas n\u00e3o estava percebendo. Foi preciso que um amigo nos visitasse, padrinho de casamento, para que abrisse meus olhos. \u201cVoc\u00ea vai perder sua fam\u00edlia\u201d, falou ele, de uma maneira direta, como s\u00f3 os verdadeiros amigos conseguem fazer. O nome dele \u00e9 Jefferson Fran\u00e7a. Ele conseguiu me fazer ver que tinha perdido o equil\u00edbrio entre o pessoal e o profissional. Certamente, n\u00e3o era aquele o final que queria para a minha hist\u00f3ria. Foi a\u00ed que resolvi ir ao mercado e uma nova proposta apareceu, da Lindsay, uma empresa americana com sede em Nebraska, e f\u00e1brica em Mogi Mirim (SP), onde comecei em janeiro de 2007.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tomando medidas dif\u00edceis<\/h2>\n\n\n\n<p>Na Lindsay, fabricante de sistemas de irriga\u00e7\u00e3o por piv\u00f4, fui contratado como diretor-geral no Brasil e Am\u00e9rica do Sul. A sede era em Mogi Mirim, onde viveram meus av\u00f3s maternos, ao lado de Pedreira, cidade onde nasci. Coincid\u00eancias da vida. Logo que cheguei, fui procurado por um&nbsp;<em>headhunter<\/em>, falando de uma oportunidade. Descartei o avan\u00e7o daquela conversa\u00e7\u00e3o, justamente por ter acabado de assumir e ter realmente um plano a cumprir para a reestrutura\u00e7\u00e3o da empresa. Antes de terminar, ele me perguntou: \u201cQuando eu voltar com uma nova proposta, o que faria voc\u00ea sair daqui?\u201d. Para n\u00e3o deix\u00e1-lo sem resposta, falei a esmo: \u201cEu teria de atuar em um mercado muito mais amplo, ir morar em Ribeir\u00e3o Preto, e para um cargo t\u00e3o bom ou melhor do que o que tenho hoje.\u201d Ele anotou e, dois anos depois, telefonou-me e me convidou para almo\u00e7ar. \u201cLembra-se daquelas tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es que voc\u00ea me disse h\u00e1 um tempo atr\u00e1s?\u201d, perguntou. Era uma oportunidade para Ribeir\u00e3o Preto como chief operating officer (coo) na Companhia Nacional de A\u00e7\u00facar e \u00c1lcool (CNAA). Foi assim que entrei neste mercado, onde me encontro ainda hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui para a CNAA para ajudar a evitar a sua insolv\u00eancia. O cen\u00e1rio era assustador. No lugar das quatro usinas programadas, existiam duas, que estavam inacabadas. E, para piorar, tinha acontecido recentemente a quebra do mercado imobili\u00e1rio americano, gerando uma das maiores crises globais at\u00e9 ali. No entanto, mesmo com o sumi\u00e7o do dinheiro no mercado, a Riverstone, um dos fundos de investimento americano acionista da CNAA, continuou bancando o projeto. Assumi toda a opera\u00e7\u00e3o agroindustrial da empresa com sede em Ribeir\u00e3o Preto e comecei dando as not\u00edcias ruins aos fundos, na hora que precisavam ser dadas. Tomamos medidas dif\u00edceis. Em resumo, paralisamos uma unidade que j\u00e1 estava em constru\u00e7\u00e3o, encerramos outra que nem havia come\u00e7ado e focamos naquelas duas inacabadas, que come\u00e7amos a operar com muita dificuldade com o intuito de vend\u00ea-las. E, quando surgiu o interesse da BP em comprar, julguei que minha miss\u00e3o naquele projeto estava conclu\u00edda. Curiosamente, um ano antes, havia recusado uma proposta formal da BP, quando buscavam um diretor de Opera\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s a compra da CNAA pela BP, participei de todo o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o dos ativos para a BP e, para minha surpresa, fui o \u00fanico diretor da CNAA convidado para continuar. A decis\u00e3o em ficar era muito importante para minha carreira. Fui ent\u00e3o conversar com o profissional que eles tinham contratado para a vaga que me fora oferecida l\u00e1 atr\u00e1s. Era Irineu Marcondes, algu\u00e9m de fora do mercado de usinas e que tinha morado muitos anos fora do Brasil. Esta \u00e9 outra figura importante na minha vida profissional. Conversamos por meia hora e percebi que tinha muito a aprender com ele, como pessoa e como profissional. Assim, n\u00e3o tive nenhum problema em dar um passo atr\u00e1s e aceitar ocupar uma posi\u00e7\u00e3o inferior \u00e0 que tinha. Entre a CNAA e a BP, eu fiquei um pouco mais de seis anos, de janeiro de 2009 a maio de 2015.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Era para ser pra sempre!<\/h2>\n\n\n\n<p>Era um orgulho imenso usar o crach\u00e1 da BP, uma das maiores empresas do mundo. Mas, apesar do glamour, o lado ruim \u00e9 que continuei a viajar muito. Portanto, voltei a ter o mesmo dilema que j\u00e1 tivera e julguei que n\u00e3o valia a pena estar novamente t\u00e3o ausente da fam\u00edlia. Foi quando estabeleci contato com a Noble Brasil S.A. (que viria a se tornar a Cofco International), dona de quatro usinas ao redor de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. Conversei com o seu presidente, Maur\u00edcio Mizrahi, que logo conquistou a minha aten\u00e7\u00e3o, pelo profissional e pessoa maravilhosa que \u00e9. Ent\u00e3o, tomei a dif\u00edcil decis\u00e3o de deixar a BP.<\/p>\n\n\n\n<p>Da minha parte, queria equilibrar o pessoal e o profissional. Ent\u00e3o, cumpri antes o que tinha combinado com a BP, fiz o processo completo de&nbsp;<em>turnover<\/em>&nbsp;e s\u00f3 ent\u00e3o pedi demiss\u00e3o. Na nova empresa, tamb\u00e9m cumpri 100% do que havia prometido a Maur\u00edcio, redesenhando toda a estrutura organizacional das usinas. A empresa vinha tendo um preju\u00edzo milion\u00e1rio com aquelas opera\u00e7\u00f5es. Quando cheguei, em maio, a previs\u00e3o era de preju\u00edzo operacional de 240 milh\u00f5es de d\u00f3lares, e encerramos no vermelho, em 190 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Mas j\u00e1 no ano seguinte, tivemos super\u00e1vit de cerca de 40 milh\u00f5es de d\u00f3lares. No meu primeiro ano, o Maur\u00edcio saiu da empresa e isso teve impacto na minha carreira. Mas costumo dizer que \u201cca\u00ed para cima\u201d, pois o novo presidente da Divis\u00e3o de A\u00e7\u00facar e Etanol, para que pudesse ter como meu substituto algu\u00e9m com quem ele j\u00e1 tinha trabalhado, me indicou para a Matriz em S\u00e3o Paulo para assumir a posi\u00e7\u00e3o de diretor de todas as opera\u00e7\u00f5es para a Am\u00e9rica do Sul, o que envolvia toda a parte de gr\u00e3os, portos, biodiesel e armaz\u00e9ns no Brasil, na Argentina e no Uruguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, na minha nova condi\u00e7\u00e3o, voltei a viajar bastante, me afastando cada vez mais da minha fam\u00edlia. Foi neste momento que decidi parar. Ao conversar com o presidente, ele pediu para que, antes, eu fizesse toda a transi\u00e7\u00e3o de ativos operacionais da Noble-Cofco com a Nidera, rec\u00e9m-adquirida. Estabelecemos um plano de sa\u00edda, fiz todo o processo de integra\u00e7\u00e3o e de&nbsp;<em>handover<\/em>&nbsp;para meu sucessor. Assim, em agosto de 2017, estava em casa, n\u00e3o para um sab\u00e1tico, mas para sempre. Queria curtir minha fam\u00edlia, minhas filhas, meus sobrinhos, reformar uma antiga casa, pescar juntos no Pantanal, tudo que me foi dificultado durante meus 30 anos de carreira. Por um tempo, realmente segui o meu plano. Mas, como diz a letra de uma m\u00fasica do Renato Russo, \u201co pra sempre sempre acaba\u201d. Depois de um ano e meio, recebi uma liga\u00e7\u00e3o. Era uma oportunidade singular: ajudar a profissionalizar o \u00faltimo dos grandes grupos familiares do setor, o grupo Santa Terezinha. Eu disse \u201csim\u201d. Voltei ao mercado com base em um acordo de cavalheiros para ficar dois anos. J\u00e1 se passaram quatro.<\/p>\n\n\n\n<p>Fizemos a implementa\u00e7\u00e3o do novo conceito de gest\u00e3o das \u00e1reas operacionais, da \u00e1rea de Recursos Humanos, TI, Sa\u00fade, Seguran\u00e7a e Meio Ambiente, Suprimentos, al\u00e9m da \u00e1rea de Controladoria. Quando vim, uma de minhas solicita\u00e7\u00f5es foi que todas estas \u00e1reas ficassem sob a minha responsabilidade nos dois primeiros anos, porque aprendi a import\u00e2ncia delas para que a opera\u00e7\u00e3o funcionasse. Este era o aprendizado da minha vida toda e tive a oportunidade de implementar no grupo Santa Terezinha. Neste per\u00edodo, revertemos um d\u00e9ficit de 140 milh\u00f5es de reais, que se tornaram em super\u00e1vits anuais de cerca de 400 milh\u00f5es de reais nos tr\u00eas anos seguintes. Enfim, geramos aproximadamente 1,1 bilh\u00e3o de reais em lucro operacional. \u00c9 por isso \u2013 pelos resultados e por aplicar o que a minha experi\u00eancia me demonstrou em um \u00fanico projeto \u2013 que classifico esta parte como o meu maior&nbsp;<em>case&nbsp;<\/em>de sucesso. Al\u00e9m disso, conheci pessoas maravilhosas aqui no Paran\u00e1. E \u00e9 neste ponto da minha hist\u00f3ria que me encontro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Termine os projetos que come\u00e7ou<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes de finalizar, destaco que o sucesso de quem lidera est\u00e1 na manuten\u00e7\u00e3o do foco e no h\u00e1bito de terminar aquilo que se come\u00e7ou. Isso tem sido importante na minha vida desde os tempos da faculdade. Outra coisa: se quer liderar, seja resiliente. Tenha o entendimento sobre as dificuldades, mas n\u00e3o deixe que elas te abatam e tirem o seu foco ou o entusiasmo de romper as barreiras. N\u00e3o se trata de ser intransigente, mas \u00e9 ter a ci\u00eancia de que haver\u00e1 intemp\u00e9ries durante a viagem. Por isso, mantenha-se motivado o suficiente para chegar ao fim, aprendendo em cada um dos desvios, com cada situa\u00e7\u00e3o adversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja transparente. Confie, mas acompanhe. Pratique a \u00e9tica e o&nbsp;<em>compliance&nbsp;<\/em>o tempo todo, pois assim nos tornamos confi\u00e1veis. E, se puder escolher apenas um \u00fanico valor, seja justo. Isso acontece quando olhamos para um grupo de pessoas e temos a certeza de que podemos n\u00e3o estar agradando a todos, mas todos entendem a decis\u00e3o que estamos tomando, sendo ou n\u00e3o do agrado deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu terminei os projetos que comecei. N\u00e3o desisti diante das adversidades, e elas acabaram fazendo sentido para mim mais \u00e0 frente. Hoje, quando olho para tr\u00e1s e penso em todas as minhas dificuldades, tenho certeza de que cada uma das pedras do meu caminho, que, \u00e0 \u00e9poca, pareceram intranspon\u00edveis, formaram degraus, por onde subi. Lembre-se tamb\u00e9m: jamais estamos prontos. Colar grau na faculdade n\u00e3o nos faz prontos. Colocar uma faixa preta na cintura n\u00e3o nos torna um lutador. Tudo, absolutamente tudo, \u00e9 parte de um aprendizado cont\u00ednuo. E o mais importante n\u00e3o s\u00e3o as pessoas que est\u00e3o \u00e0 nossa volta, mas quem realmente est\u00e1 ao nosso lado na \u201ctrincheira\u201d. S\u00e3o estas que justificam todo o nosso esfor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dicas de leitura<\/h2>\n\n\n\n<p>Good to great \u2013 Empresas feitas para vencer, de Jim Collins. Editora Campus.<\/p>\n\n\n\n<p>As sete leis espirituais do sucesso, de Deepak Chopra. Editora Best Seller.<\/p>\n\n\n\n<p>O poder do h\u00e1bito, de Charles Duhigg. Editora Objetiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nome completo: Julimar Clemente de Souza&nbsp; Nacionalidade: Brasileiro Forma\u00e7\u00e3o: Engenharia de Alimentos na Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV) Ocupa\u00e7\u00e3o: Chief operating officer na Usina Santa Terezinha Julimar Clemente de Souza \u00e9 um profissional brasileiro que atuou como Chief Operating Officer (COO) na Usina Santa Terezinha. 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