{"id":5058,"date":"2023-07-23T03:30:08","date_gmt":"2023-07-23T06:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=5058"},"modified":"2023-07-23T03:30:10","modified_gmt":"2023-07-23T06:30:10","slug":"klaus-hepp-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=5058","title":{"rendered":"Klaus Hepp"},"content":{"rendered":"\n<p>Nome completo: <strong>Klaus Hepp<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nacionalidade: <strong>Alem\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Forma\u00e7\u00e3o: <strong>Engenharia Qu\u00edmica no Karlsruher Institut f\u00fcr Technologie (KIT)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ocupa\u00e7\u00e3o: <strong>Presidente na Vulkan do Brasil e diretor-geral na Vulkan Africa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Klaus Hepp, empres\u00e1rio alem\u00e3o nascido em 1957, \u00e9 presidente da Vulkan do Brasil e diretor-geral da Vulkan Africa. Sua carreira internacional teve in\u00edcio ap\u00f3s a gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Qu\u00edmica, quando participou de um programa de interc\u00e2mbio na \u00c1frica do Sul. Com vasta experi\u00eancia em empresas como Henkel e ElringKlinger, sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada pela lideran\u00e7a em projetos globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, \u00e9 respons\u00e1vel por expandir os neg\u00f3cios da Vulkan em diversos pa\u00edses, destacando-se por sua paix\u00e3o em desenvolver estrat\u00e9gias e conquistar novos horizontes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-amazon wp-block-embed-amazon\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Hist\u00f3rias de sucesso Vol.9: L\u00edderes inspiradores\" type=\"text\/html\" width=\"800\" height=\"550\" frameborder=\"0\" allowfullscreen style=\"max-width:100%\" src=\"https:\/\/ler.amazon.com.br\/kp\/card?preview=inline&#038;linkCode=kpd&#038;ref_=k4w_oembed_Vm8mTHwgTGRcD6&#038;asin=B0C8PSCHRT&#038;tag=kpembed-20\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Hist\u00f3ria publicada na revista Exame<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/o-sucesso-nao-acontece-para-quem-nao-se-arrisca\/\">https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/o-sucesso-nao-acontece-para-quem-nao-se-arrisca\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">O sucesso n\u00e3o acontece para quem n\u00e3o se arrisca<\/h1>\n\n\n\n<p>Diria que o que me ajudou a abrir a mente e obter conhecimento variado foi de me \u201cjogar\u201d em diferentes aprendizados e em pa\u00edses diversos<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/ultimas-noticias\/\">Hist\u00f3rias de sucesso<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Publicado em&nbsp;25 de fevereiro de 2022 \u00e0s,&nbsp;14h57.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Por: Fabiana Monteiro<\/p>\n\n\n\n<p><strong>KLAUS HEPP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Presidente na Vulkan do Brasil e Diretor Geral na Vulkan Africa<\/p>\n\n\n\n<p>Nasci em uma regi\u00e3o rural do povoado de Ramsen no estado alem\u00e3o de Ren\u00e2nia -Palatinado, em julho de 1957. Morava, relativamente, perto da base a\u00e9rea Ramstein dos Estados Unidos, que ainda se mant\u00e9m nesse local at\u00e9 hoje. Por conta disso, era muito comum me deparar com soldados americanos nas minhas escapadas pelo entorno e achava tudo aquilo fascinante. \u00c9 importante que, de antem\u00e3o, mencione este fato, pois meu contato ainda crian\u00e7a com aquele pessoal me permitiu acesso \u00e0 outro idioma e cultura. Isso despertou em mim o desejo de fazer algo na vida, a partir da possibilidade em desbravar novos horizontes e conhecer outros mundos. Mudamos para a cidade de Mannheim, fiz o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio e, s\u00f3 depois, entrei na faculdade. Escolhi Engenharia Qu\u00edmica no&nbsp;<em>Karlsruher Institut f\u00fcr Technologie<\/em>&nbsp;(KIT), entre 1979 e 1984. J\u00e1 na faculdade, entrei em contato com muitos jovens de outros pa\u00edses, que estudavam na Alemanha, inclusive brasileiros. Ali, j\u00e1 aprendi um pouco sobre o Brasil, seu continente e assim refor\u00e7ou o desejo de conhec\u00ea-lo algum dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a gradua\u00e7\u00e3o, participei de um programa de interc\u00e2mbio aberto a alunos de todos os cursos, que levou os selecionados a uma viv\u00eancia de tr\u00eas meses na \u00c1frica do Sul. Eu acompanhava as empresas de cimento em diferentes lugares do pa\u00eds africano e comecei a ver qual era o papel e as responsabilidades de como era a vida dos engenheiros europeus no mundo afora. Essa experi\u00eancia me agradou bastante e refor\u00e7ou o meu desejo de voltar para casa, terminar a faculdade e sair para trabalhar al\u00e9m das fronteiras alem\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 1985, entrei como&nbsp;<em>trainee<\/em>&nbsp;na VEBA AG, do setor alem\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s, na cidade de Gelsenkirchen. Essa empresa tinha um acordo com a estatal PDVSA, da Venezuela, para construir uma f\u00e1brica enorme de fazer gasolina e diesel alternativos com mat\u00e9ria-prima do Lago Orinoco. Eu seria treinado na Alemanha e, depois, transferido para a na\u00e7\u00e3o latino-americana. Contudo, no meio deste processo, como consequ\u00eancia da segunda guerra entre Ir\u00e3 e Iraque, o pre\u00e7o dos derivados de petr\u00f3leo baixou drasticamente no mercado internacional e, naquelas circunst\u00e2ncias, ficou decidido pela VEBA que o investimento em solo venezuelano deixaria de ser feito. Eles me ofereceram para continuar o v\u00ednculo empregat\u00edcio, trabalhando em uma refinaria na Alemanha. No entanto, aquele n\u00e3o era o meu plano. Foi assim que me mudei para a Henkel, uma grande companhia com extensa atividade internacional, onde ficaria pelos pr\u00f3ximos 17 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A primeira vez no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Comecei na Henkel em junho de 1986. A empresa tinha um departamento de Engenharia gigante, com 600 profissionais de todas as \u00e1reas, que atuavam no mundo inteiro. Saber que novos projetos estavam sendo iniciados no Brasil e na Indon\u00e9sia fez meus olhos brilharem, mas fui encaminhado para a f\u00e1brica principal da Henkel em D\u00fcsseldorf. Sofri inicialmente, pois queria mais. No entanto, esperei. Dois anos se passaram, aprendi bastante e me tornei gerente de projetos. Descobri meu talento para organizar times e fazer tudo de forma disciplinada. Aos poucos, fui colocado em projetos na Fran\u00e7a, Inglaterra, Espanha e tamb\u00e9m na Alemanha, tornei-me&nbsp;<em>senior project manager<\/em>. Contudo, a partir de certa experi\u00eancia, j\u00e1 n\u00e3o nos desenvolvemos mais. Onze anos se transcorreu desde a minha chegada \u00e0 Henkel quando fui convidado para uma auditoria interna na f\u00e1brica da empresa em Jacare\u00ed, no interior de S\u00e3o Paulo. A matriz precisava de algu\u00e9m qualificado o suficiente para analisar e reportar, pois o objetivo era fazer um grande investimento na unidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio das minhas expectativas, todos foram muito receptivos em Jacare\u00ed, embora sofressem press\u00e3o da Alemanha por um lado e, por outro, havia problemas de comunica\u00e7\u00e3o interna entre l\u00edder e liderados. Com a minha experi\u00eancia, e sem saber muito desse contexto, assumi o posto de lideran\u00e7a do grupo. Falei o que dever\u00edamos fazer, fui ouvido e o \u201cmilagre\u201d aconteceu. Todos ficaram felizes e o dinheiro para o ambicionado projeto finalmente sairia. Nisso, tive de ir e voltar para Jacare\u00ed muitas vezes. Na \u00faltima delas, estava me despedindo para seguir para o aeroporto, quando o chefe da unidade, um argentino, me disse: \u201cPor que voc\u00ea n\u00e3o volta e fica aqui de vez e faz tudo o que precisa ser feito?\u201d. Eu estava comprometido com outros projetos na Europa e n\u00e3o podia simplesmente deixar tudo para tr\u00e1s. Ainda assim, liguei para o meu chefe em D\u00fcsseldorf, falei do convite do pessoal brasileiro e consegui a libera\u00e7\u00e3o para voltar e ficar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da ind\u00fastria cosm\u00e9tica para o setor automotivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei respons\u00e1vel por toda a \u00e1rea de engenharia em Jacare\u00ed, e trabalho n\u00e3o faltou. Vivi por tr\u00eas anos em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, e permaneceria mais se n\u00e3o fosse por uma quest\u00e3o econ\u00f4mica. Em janeiro de 1999, o Banco Central brasileiro mudou sua pol\u00edtica cambial, o que resultou na desvaloriza\u00e7\u00e3o acentuada do Real. Com isso, de um dia para outro, meu sal\u00e1rio reduziu quase pela metade. Foi assim que pedi para voltar para Alemanha e acabei assumindo uma fun\u00e7\u00e3o-chave como diretor t\u00e9cnico da f\u00e1brica em Viersen-D\u00fclken, onde foram produzidas todas as tintas de cabelo e cremes de pele da divis\u00e3o de cosm\u00e9tica Schwarzkopf &amp; Henkel. Eu n\u00e3o sabia na \u00e9poca, mas eu j\u00e1 era aguardado h\u00e1 muito tempo. O diretor-geral da unidade me conheceu durante um treinamento de fim de semana e gostou de mim, entretanto, sinceramente, nem notei isso. Quando ainda estava no Brasil, ele pesquisou sobre mim e sinalizou o interesse em me encaixar na sua equipe, assim que eu ficasse dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma de nossas conversas, depois que l\u00e1 estava, ele revelou que me queria na equipe pelos pr\u00f3ximos 20 anos. Quanto a mim, deixei claro que estava muito feliz em trabalhar ali, por\u00e9m, gostaria de ir para longe da Alemanha, assim que surgisse uma oportunidade. Ele ficou decepcionado e reclamou com o diretor global de opera\u00e7\u00f5es da divis\u00e3o de cosm\u00e9tica. Mas, ao inv\u00e9s de o \u201cchef\u00e3o\u201d ficar irritado, demonstrou interesse em conhecer \u201co maluc\u00e3o\u201d e ligou para mim. Ele disse que estava com grandes dificuldades para encontrar pessoal qualificado para expatriar e pediu para que eu esperasse um ano, pois me chamaria. E foi o que aconteceu. Pouco antes do Natal, ele me ligou: \u201cVoc\u00ea fala espanhol?\u201d, perguntou-me.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFalo s\u00f3 portugu\u00eas\u201d, respondi. Ele achou \u00f3timo. Foi assim que fui enviado para La Coru\u00f1a, no norte da Espanha, onde tinha uma prestigiosa f\u00e1brica de cosm\u00e9ticos rec\u00e9m adquirida pela Henkel e onde havia uma tens\u00e3o entre a lideran\u00e7a local e o&nbsp;<em>headquarter<\/em>&nbsp;em D\u00fcsseldorf. Fui posto dentro do que era, inicialmente, um enclave inimigo. Nessa \u00e9poca, divorciei e fiquei longe dos meus tr\u00eas filhos. Meu desejo era recome\u00e7ar, e, ap\u00f3s 3 anos maravilhosos de trabalho e de muito sucesso em La Coru\u00f1a, coincidiu&nbsp;com uma abordagem de um&nbsp;<em>headhunter<\/em>, que representava uma empresa germ\u00e2nica que estava tendo problemas com sua f\u00e1brica de autope\u00e7as no M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinha de uma empresa cosm\u00e9tica, mas eles acreditaram que eu era capaz no trabalho. Foi assim que sa\u00ed da Henkel depois de 17 anos, deixei a Espanha e fui para a cidade mexicana de Toluca, perto da Cidade do M\u00e9xico, para liderar a opera\u00e7\u00e3o local da ElringKlinger. Confesso que, se eu soubesse o que representa o setor automotivo para a Am\u00e9rica do Norte, nem pensaria em aceitar o trabalho. No entanto, tinha a vantagem em n\u00e3o saber. Portanto, se n\u00e3o era mais poss\u00edvel fugir daquele desafio, aprendi com ele e resolvi o que precisava de solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Itiner\u00e1rios brasileiros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No M\u00e9xico, \u201capanhei\u201d muito; por outro lado, aprendi mais ainda. Depois de tr\u00eas anos na ElringKlinger, recebi uma oferta de outra companhia alem\u00e3, do mesmo segmento, a BOS Automotive. Eles me ofereceram uma oportunidade de criar uma empresa para a qual seria transferida toda a produ\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos para o territ\u00f3rio mexicano. Aquele era o sonho dos meus sonhos. Fui o funcion\u00e1rio n\u00famero um da instala\u00e7\u00e3o que montamos em Irapuato, no centro do M\u00e9xico. Enquanto era constru\u00edda, consegui um&nbsp;<em>trailer<\/em>, estacionei-o ao lado da futura f\u00e1brica e fiz dele o meu escrit\u00f3rio. Come\u00e7amos, enfim, a produ\u00e7\u00e3o e, tr\u00eas anos depois, t\u00ednhamos 600 colaboradores e j\u00e1 fatur\u00e1vamos 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Mas eis que veio a famosa crise econ\u00f4mica de 2008, ent\u00e3o considerada a pior desde a Grande Depress\u00e3o, e este evento provocou uma grande recess\u00e3o e atingiu especialmente o setor automotivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, eu j\u00e1 havia casado novamente, em 2003, com Selma Concei\u00e7\u00e3o de Brito Hepp, uma brasileira do Recife, e, um ano depois, nasceu nosso filho Gabriel. Mor\u00e1vamos no M\u00e9xico, por\u00e9m aliment\u00e1vamos o sonho de morar no Brasil, s\u00f3 esper\u00e1vamos o melhor momento. A crise de 2008\/2009 foi este momento. Enquanto aguardava a obten\u00e7\u00e3o do visto de perman\u00eancia no Brasil, abrimos uma consultoria e, neste meio tempo, entrei em contato com empresas de gest\u00e3o interina, conhecidas da Alemanha, e me coloquei \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Foi assim que, em setembro de 2010, cheguei \u00e0 Fabrima M\u00e1quinas Autom\u00e1ticas em Guarulhos. Os donos do grupo alem\u00e3o, o qual a Fabrima pertencia na \u00e9poca, queriam vender a empresa e precisavam de algu\u00e9m que a organizasse e a mantivesse funcionando adequadamente, at\u00e9 que o neg\u00f3cio se concretizasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Mudei de Recife para Guarulhos e, cinco meses depois, tudo estava organizado e os novos propriet\u00e1rios chegaram. Enquanto isso, consegui enfim o visto de perman\u00eancia, minha carteira de trabalho e, a partir dali, tinha todas as condi\u00e7\u00f5es de ser contratado de acordo com a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT). Pouco tempo depois, fui chamado pelo grupo alem\u00e3o GEA, cujo o&nbsp;<em>headquarter<\/em>&nbsp;seencontra em Bochum e cuja a f\u00e1brica brasileira se encontrava em Franco da Rocha, S\u00e3o Paulo. Logo, descobri que era desgastante sair de Guarulhos, cruzar toda a Marginal Tiet\u00ea e seguir para a empresa diariamente. Diante do meu interesse em sair do meu contrato de administrador interino, renegociamos \u00e0s condi\u00e7\u00f5es, contrataram-me como diretor geral CLT e resolvi me mudar para Jundia\u00ed, mais perto do local de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Atuando agora junto \u00e0 ind\u00fastria de \u00f3leo e g\u00e1s, pude desenvolver neg\u00f3cios na Argentina, Bol\u00edvia, Chile e Col\u00f4mbia, tendo a experi\u00eancia em expandir o&nbsp;<em>business<\/em>&nbsp;para a Am\u00e9rica Latina. No entanto, o CEO mundial resolveu vender a nossa divis\u00e3o toda, globalmente e, com o dinheiro, investir em outros assuntos. Foi durante este per\u00edodo de incerteza que me aproximei da Vulkan que fica em Itatiba e da qual fa\u00e7o parte desde setembro de 2014. Fizemos uma reestrutura\u00e7\u00e3o completa, criamos um centro de desenvolvimento de produtos e come\u00e7amos tamb\u00e9m uma expans\u00e3o regional. Hoje, temos escrit\u00f3rio no M\u00e9xico e na Col\u00f4mbia. Tr\u00eas anos depois da minha chegada, fui nomeado por nossa central na Alemanha para chefiar a expans\u00e3o das nossas atividades comerciais na Austr\u00e1lia, na \u00c1frica Subsaariana e na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 muito trabalho, que vem exigindo o desenvolvimento de novos neg\u00f3cios, produtos e estrat\u00e9gias. Mas n\u00e3o me canso, porque \u00e9 o que fa\u00e7o de melhor e o que gosto de fazer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o fabrico, n\u00e3o monto e n\u00e3o vendo nada; s\u00f3 penso e crio estrat\u00e9gias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Meu pai morreu quando eu tinha seis anos. Assim, fiquei, precocemente, sem algu\u00e9m que pudesse exercer uma influ\u00eancia fundamental sobre mim, inclusive no que diz respeito ao futuro profissional. Tamb\u00e9m n\u00e3o tenho algu\u00e9m que tenha exercido o papel de mentor desde que comecei a trabalhar. E, para ser sincero, durante muitos anos senti falta de pontos de refer\u00eancia, de mentoria. Lamentei esta aus\u00eancia por algum tempo, contudo inverti o jogo e desenvolvi uma capacidade de automentorear. Dessa forma, consegui, nos \u00faltimos 20 ou 25 anos, estabelecer o meu pr\u00f3prio caminho, com a minha pr\u00f3pria for\u00e7a, alimentando-me com todo tipo de impulsos, contatos e exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Qu\u00edmica na Karlsruher, fiz diversos treinamentos e cursos espec\u00edficos dentro, principalmente, das empresas onde trabalhei. Mas diria que o que me ajudou a abrir a mente e obter conhecimento variado foi de me \u201cjogar\u201d em diferentes aprendizados e em pa\u00edses diversos. Trabalhei na Alemanha, Brasil, Espanha e M\u00e9xico, e tirei li\u00e7\u00f5es importantes de cada um destes lugares. Embora n\u00e3o tenha muitos cursos formais, estudo e leio muito, e tenho para mim que a verdadeira escola \u00e9 a vida. E desta, sou um excelente aluno, o que justifica os meus bons resultados. Brinco que nas empresas pelas quais passei, sou o \u00fanico que n\u00e3o trabalha, pelo menos no sentido convencional, uma vez que n\u00e3o fabrico nada, n\u00e3o monto nada, n\u00e3o vendo nada. Eu penso. Sou o fabricante das estrat\u00e9gias, das solu\u00e7\u00f5es e das ideias. E isso \u00e9 muito bonito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se o liderado \u00e9 bom, o l\u00edder \u00e9 bom; se \u00e9 ruim, o l\u00edder \u00e9 ruim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tenho ao menos tr\u00eas&nbsp;<em>turning points<\/em>&nbsp;na carreira. O primeiro foi quando voltei do Brasil para a Alemanha, e comecei a escrever uma nova hist\u00f3ria. Decidi me divorciar, sair da empresa e construir uma vida nova. N\u00e3o foram decis\u00f5es sem pensar ou \u201cmaluquices\u201d, e sempre soube que fiz o certo. Outro momento singular foi casar de novo e acompanhar o nascimento do meu filho no M\u00e9xico. Pela primeira vez, consegui uma vis\u00e3o de vida completa. A partir dali, n\u00e3o separava mais o que era trabalho e o que era particular; o que era empresa e o que era fam\u00edlia. Tudo se tornou um. Foi um aprendizado muito bom e, a partir disso, trago comigo a filosofia da vida \u00fanica. Hoje, por exemplo, tenho apenas amigos, sem r\u00f3tulos. Se a origem da amizade \u00e9 o trabalho ou a vida pessoal, n\u00e3o importa.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro ponto de orienta\u00e7\u00e3o foi quando comecei como engenheiro, focado em solu\u00e7\u00f5es, na t\u00e9cnica e em tarefas. Mas, na Espanha, passei a ter contato com a \u00e1rea de Marketing e Vendas e, quando sa\u00ed do M\u00e9xico para o Brasil, apaixonei-me pelo enfoque nas quest\u00f5es estrat\u00e9gicas, comerciais, de desenvolvimento e de cria\u00e7\u00e3o. Fiquei, por fim, mais longe dos temas t\u00e9cnicos, encerrando um ciclo que foi muito bonito.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando comecei minha carreira, est\u00e1vamos em um mundo bem diferente, vertical, hierarquizado e no qual predominava um estilo de lideran\u00e7a com muitas regras, ordens e instru\u00e7\u00f5es. Hoje, isso n\u00e3o cabe mais. A base \u00e9 a confian\u00e7a entre as pessoas. Se quiser saber se algu\u00e9m \u00e9 um bom l\u00edder, deixe que apresente seus colaboradores. Se o liderado \u00e9 bom, o l\u00edder \u00e9 bom; se \u00e9 ruim, o l\u00edder \u00e9 ruim. A quem lidera cabe montar times disciplinados e com pe\u00e7as bem diferentes. Clones j\u00e1 n\u00e3o servem para nada. O que se busca \u00e9 personalidade das pessoas, que estas tenham suas pr\u00f3prias experi\u00eancias, estilo e que sejam complementares.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente do que se quer fazer, prepare-se para o desafio e fique \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo que tem funcionado para mim. Sempre que a oportunidade me sorriu, eu estava l\u00e1 \u00e0 espera dela e sorri de volta. Se algu\u00e9m me ligar, n\u00e3o demoro para responder. Se me fazem uma proposta vantajosa, n\u00e3o digo que preciso pensar ou que quero saber de todos os detalhes. Assim n\u00e3o funciona. Portanto, se quiser aproveitar as chances, \u201cse joga\u201d. O sucesso n\u00e3o acontece para quem n\u00e3o demonstra flexibilidade e n\u00e3o se arrisca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Somente fazendo \u00e9 que se aprende<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Considero essencial, especialmente no in\u00edcio da carreira, que se tenha uma certa calma e paci\u00eancia. Tudo precisa de tempo, pois n\u00e3o h\u00e1 f\u00f3rmula m\u00e1gica para acelerar a carreira. E, ainda que pare\u00e7a trivial, \u00e9 apenas fazendo que n\u00f3s aprendemos. Ent\u00e3o, aprenda com os equ\u00edvocos e desatinos, e n\u00e3o apenas lamente ou reclame em fun\u00e7\u00e3o deles. Todos estamos sujeitos a erros e, conforme acredito, se n\u00e3o fazemos algo de errado, nada aprendemos. Muitos ficam esperando a ajuda alheia, um grande mentor, mas s\u00f3 alguns ter\u00e3o essa sorte. Quem realmente quer fazer uma carreira pr\u00f3pria precisa ter essa clareza de que ele mesmo tem que produzir, e n\u00e3o esperar que algu\u00e9m lhe presentei ou que fale como se deve proceder para conseguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, antes de mais nada, desde o in\u00edcio, tenha uma ideia do que se quer da vida, e tente ficar mais perto dessa inten\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que for ganhando experi\u00eancia, fa\u00e7a os ajustes finos necess\u00e1rios da ideia original. \u00c9 muito comum termos um projeto inicial, come\u00e7armos a trabalhar por ele e descobrirmos que n\u00e3o era bem aquilo que se queria. Nada impede que possamos nos apaixonar novamente por algo novo e diferente. Mas \u00e9 preciso partir de algo concreto desde o in\u00edcio. Tem que tentar e lutar para fazer aquilo que sonhamos que d\u00ea certo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dicas de leitura de Klaus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Price Management: Strategy, analysis, decision, implementation<\/em>, de Hermmann Simon e Martin Fassnatcht<\/p>\n\n\n\n<p><em>Madrid<\/em>, de Andr\u00e9s Trapiello<\/p>\n\n\n\n<p><em>Humanocracy, Creating organizations as amazing as the people inside them<\/em>, de Gary Hamel e Michele Zanini<\/p>\n\n\n\n<p><em>Walt Disney, O triunfo da imagina\u00e7\u00e3o americana<\/em>; de Neal Gabler<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nome completo: Klaus Hepp Nacionalidade: Alem\u00e3o Forma\u00e7\u00e3o: Engenharia Qu\u00edmica no Karlsruher Institut f\u00fcr Technologie (KIT) Ocupa\u00e7\u00e3o: Presidente na Vulkan do Brasil e diretor-geral na Vulkan Africa Klaus Hepp, empres\u00e1rio alem\u00e3o nascido em 1957, \u00e9 presidente da Vulkan do Brasil e diretor-geral da Vulkan Africa. 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