{"id":5071,"date":"2023-07-23T04:05:33","date_gmt":"2023-07-23T07:05:33","guid":{"rendered":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=5071"},"modified":"2023-07-23T04:05:34","modified_gmt":"2023-07-23T07:05:34","slug":"mardely-esperanza-vega-ruiz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=5071","title":{"rendered":"Mardely Esperanza Vega Ruiz"},"content":{"rendered":"\n<p>Nome completo: <strong>Mardely Esperanza Vega Ruiz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nacionalidade: <strong>Venezuelana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Forma\u00e7\u00e3o: <strong>Engenharia da Computa\u00e7\u00e3o pela Universidad Sim\u00f3n Bol\u00edvar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ocupa\u00e7\u00e3o: <strong>Vice-president &#8211; Human Resources for Latin America &amp; USA Sodexo Benefits &amp; Reward Services<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mardely Esperanza Vega Ruiz \u00e9 uma profissional venezuelana especializada em Recursos Humanos e Vice-Presidente de RH para Am\u00e9rica Latina e EUA na Sodexo Benefits &amp; Reward Services. Com uma carreira diversificada, ela progrediu da engenharia para vendas e finalmente para o RH. Seu compromisso com o desenvolvimento pessoal e profissional a destaca como um exemplo de adaptabilidade e perseveran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-amazon wp-block-embed-amazon\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Hist\u00f3rias de sucesso Vol.9: L\u00edderes inspiradores\" type=\"text\/html\" width=\"800\" height=\"550\" frameborder=\"0\" allowfullscreen style=\"max-width:100%\" src=\"https:\/\/ler.amazon.com.br\/kp\/card?preview=inline&#038;linkCode=kpd&#038;ref_=k4w_oembed_VUN8E2oou5kKkt&#038;asin=B0C8PSCHRT&#038;tag=kpembed-20\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Hist\u00f3ria publicada na revista Exame<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/o-sucesso-e-um-processo-que-exige-adaptacoes\/\">https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/o-sucesso-e-um-processo-que-exige-adaptacoes\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">O sucesso \u00e9 um processo que exige adapta\u00e7\u00f5es<\/h1>\n\n\n\n<p>Na coluna desta semana, conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de Mardely Esperanza Vega Ruiz, vice-presidente de Human Resources for Latin Am\u00e9rica &amp; USA da Sodexo<\/p>\n\n\n\n<p>(Hist\u00f3rias de sucesso\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?text=O%20sucesso%20%C3%A9%20um%20processo%20que%20exige%20adapta%C3%A7%C3%B5es%20https%3A%2F%2Fexame.com%2Fcolunistas%2Fhistorias-de-sucesso%2Fo-sucesso-e-um-processo-que-exige-adaptacoes?utm_source%3Dwhatsapp%26utm_medium%3Dsocial%26utm_campaign%3Dbarra-compartilhamento%20via%20Exame\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"https:\/\/facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/o-sucesso-e-um-processo-que-exige-adaptacoes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.linkedin.com\/shareArticle?mini=true&amp;url=https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/o-sucesso-e-um-processo-que-exige-adaptacoes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"https:\/\/t.me\/share\/url?url=https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/o-sucesso-e-um-processo-que-exige-adaptacoes&amp;text=O%20sucesso%20%C3%A9%20um%20processo%20que%20exige%20adapta%C3%A7%C3%B5es\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/o-sucesso-e-um-processo-que-exige-adaptacoes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/ultimas-noticias\/\">Hist\u00f3rias de sucesso<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Publicado em&nbsp;28 de outubro de 2022 \u00e0s,&nbsp;11h13.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Fabiana Monteiro<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Adaptabilidade, sem d\u00favida, foi uma das habilidades que me fizeram crescer na carreira. Se n\u00e3o fosse por esta capacidade, minha vida poderia ter estagnado no primeiro&nbsp;<em>turning point<\/em>, que aconteceu aos 12 anos, quando sa\u00ed da Venezuela para morar na Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Era desejo da minha m\u00e3e morar fora; ent\u00e3o, meu pai, como m\u00e9dico, e minha m\u00e3e, como professora, conseguiram, cada um deles em suas respectivas \u00e1reas, fazer suas especializa\u00e7\u00f5es em Londres. Assim, ainda adolescente, sa\u00ed da Venezuela para morar por dois anos na Inglaterra. \u00c0 \u00e9poca, eu falava ingl\u00eas muito b\u00e1sico, o que foi um grande desafio para uma latino-americana rec\u00e9m-chegada \u00e0 escola brit\u00e2nica. Apesar de alguns percal\u00e7os, essa experi\u00eancia foi extremamente enriquecedora, moldando meu car\u00e1ter e me preparando para as v\u00e1rias mudan\u00e7as que viriam acontecer durante minha vida. Foi neste per\u00edodo que aprendi muito sobre flexibilidade e adaptabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasci em um povoado na Venezuela, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com a Col\u00f4mbia. Meus pais, Miguel Jos\u00e9 e Dulce Esperanza, eram dos poucos profissionais na fam\u00edlia. Apesar das dificuldades, meu pai se formou m\u00e9dico cirurgi\u00e3o e minha m\u00e3e, professora universit\u00e1ria. Cresci, portanto, em um ambiente diferente das demais meninas da regi\u00e3o, que em sua maioria tinham m\u00e3es que cuidavam da casa. Devido \u00e0 minha cria\u00e7\u00e3o, nunca percebi diferen\u00e7a entre homens e mulheres, j\u00e1 que em casa, tanto meu pai quanto minha m\u00e3e tinham suas profiss\u00f5es e estavam inseridos neste mundo do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da Universidade aos primeiros anos na IBM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Retornamos da Inglaterra quando eu estava com 14 anos, faltando apenas dois anos para ingressar em uma universidade. Nesta idade (16), ainda n\u00e3o se sabe bem o que voc\u00ea quer como profiss\u00e3o, mas eu gostava muito de matem\u00e1tica, ent\u00e3o, decidi cursar Engenharia da Computa\u00e7\u00e3o em uma das institui\u00e7\u00f5es mais prestigiadas da Venezuela, a&nbsp;<em>Universidad Sim\u00f3n Bol\u00edvar<\/em>. Acredito que, por ter escolhido este curso, sempre tive muitos amigos homens e mulheres, o que me fez desde ent\u00e3o estar inserida em ambientes mistos, apesar de, notadamente, estes espa\u00e7os serem considerados redutos exclusivamente masculinos. Me lembro que uma pessoa muito importante na fam\u00edlia, um tio muito querido, questionou minha decis\u00e3o de fazer Engenharia. Segundo ele, somente mulheres feias fazem este curso, para se casarem, e me orientou a estudar humanidades. Essa interfer\u00eancia me deixou bastante indignada, por\u00e9m, meus pais trataram logo de me mostrar que este tipo de pensamento era muito antigo, um pensamento retr\u00f3grado j\u00e1 em 1982.<\/p>\n\n\n\n<p>Segui firme na minha escolha. No entanto, um ano antes de concluir o curso, senti a necessidade de experienciar algo que me propiciasse mais contato humano. Assim, fiz um esfor\u00e7o e comecei a estudar jornalismo como segunda carreira. A experi\u00eancia n\u00e3o supriu as minhas expectativas e optei por finalizar a Engenharia, me aproximando das quest\u00f5es humanas mais para frente na carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Me formei, ent\u00e3o, com 21 anos e logo em seguida entrei na IBM. Meu ingresso na IBM foi um tanto curioso, pois, \u00e0quela \u00e9poca, eu e meus amigos t\u00ednhamos um pouco daquele esp\u00edrito rebelde dos jovens, e quer\u00edamos, a princ\u00edpio, montar uma empresa venezuelana que competisse em p\u00e9 de igualdade com a IBM e a Microsoft. Apesar deste anseio juvenil, participei do processo seletivo e, a cada etapa, que ali\u00e1s eram muitas, fui sendo cativada e acabei por me apaixonar pela empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, comecei em 1988 na IBM como engenheira de pr\u00e9-venda, dando apoio aos vendedores da ind\u00fastria financeira. No entanto, depois de 1 ano sendo treinada e avaliada, percebi que n\u00e3o estava feliz naquela ocupa\u00e7\u00e3o; a necessidade de interagir com pessoas era algo pungente em mim. Expus essa insatisfa\u00e7\u00e3o ao meu superior, que sugeriu que eu fizesse um teste como vendedora, algo nada glamoroso para uma engenheira formada em uma das melhores institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds. Mas eu aceitei o desafio, j\u00e1 que o foco era vender tecnologia para diretores e presidentes de grandes corpora\u00e7\u00f5es financeiras. Em 1990, comecei a trilhar meu caminho na \u00e1rea de vendas, aplicando todo o conhecimento adquirido durante os anos de faculdade e propondo solu\u00e7\u00f5es para clientes importantes. De fato, me encontrei feliz nesta \u00e1rea, pois exigiu de mim muito estudo, algo que eu gosto muito, al\u00e9m de me proporcionar o contato humano que eu tanto almejava. Tive muito sucesso na \u00e1rea, ganhando v\u00e1rios pr\u00eamios de reconhecimento da IBM, entre eles o&nbsp;<em>Hundred Percent Club&nbsp;<\/em>e&nbsp;<em>Golden Circle<\/em>. Durante os cinco anos que seguiram, galguei v\u00e1rios cargos at\u00e9 chegar \u00e0 Ger\u00eancia de vendas de Tecnologias Emergentes &amp; Personal Software&nbsp;Products Manager<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em 1994, ganhei uma bolsa do governo para fazer o MBA da New York University. Nesta \u00e9poca eu j\u00e1 namorava com meu atual marido, Victor At\u00edlio, que me acompanhou nesta mudan\u00e7a e completou tamb\u00e9m seus estudos por l\u00e1. Ao terminar o primeiro ano deste MBA, fui convidada pela IBM a fazer um<em>&nbsp;summer job<\/em>. Desta oportunidade, surgiu a possibilidade de trabalhar um ano na IBM enquanto terminava a especializa\u00e7\u00e3o na New York University. Foi uma \u00e9poca maravilhosa, com uma experi\u00eancia muito rica, onde pude inclusive viajar para a China para fazer meu trabalho final. Ao t\u00e9rmino do curso, recebi nova proposta da empresa, para permanecer trabalhando em Nova York. No entanto, \u00e0quela \u00e9poca, j\u00e1 casada, coloquei como prioridade ter filhos. Algo que eu gostaria de fazer com o apoio da minha fam\u00edlia, dos meus pais, o que seria imposs\u00edvel se aceitasse a vaga. Decidi, ent\u00e3o, declinar e voltar para a Venezuela. Na ocasi\u00e3o, pessoas pr\u00f3ximas questionaram minha decis\u00e3o, afinal, eu teria visto, emprego, tudo aquilo que tantas pessoas desejam; seria a concretiza\u00e7\u00e3o do t\u00e3o cobi\u00e7ado \u201csonho americano\u201d. Meu pai, principalmente, ficou surpreso com minha decis\u00e3o. N\u00e3o era comum esse caminho de volta, quem retornava dos EUA para a Venezuela. Expliquei para todos que era uma decis\u00e3o focada nas minhas prioridades, e que eu n\u00e3o retornava por fracasso, voltava com um MBA, com experi\u00eancia de trabalho, com uma rica bagagem profissional e de vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A maternidade e os desafios na carreira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tenho, desde muito cedo, como princ\u00edpio basilar que n\u00e3o se pode ter muitas prioridades na vida, no m\u00e1ximo 3, caso contr\u00e1rio perde-se o foco e corre-se o risco de naufragar em meio aos desafios e \u00e0s oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo essa premissa, tive meu primeiro filho, Victor Miguel, em 1997, na Venezuela. Passados 6 meses, apesar de estar realizada como m\u00e3e, n\u00e3o me sentia plena, precisava estudar e produzir. Assim, cumpri somente o tempo da licen\u00e7a maternidade e, no primeiro dia em que eu podia retornar ao trabalho, estava l\u00e1, pronta. Ningu\u00e9m esperava que eu retornasse t\u00e3o cedo, pois havia aquela imagem de que a mulher ao se tornar m\u00e3e colocava a carreira em segundo plano. Neste retorno n\u00e3o havia para mim nenhuma posi\u00e7\u00e3o em vendas. Me ofereceram, ent\u00e3o, uma vaga na \u00e1rea de Recursos Humanos e Rela\u00e7\u00f5es Institucionais; um cargo que, apesar de ter conhecimento te\u00f3rico, n\u00e3o estava em meus planos. Permaneci nesta fun\u00e7\u00e3o por dois anos, muito intensos e de muito aprendizado. Um dos maiores desafios que enfrentei nesta \u00e9poca foi a chegada dos anos 2000 e, portanto, do \u201cBug do Mil\u00eanio\u201d, que iria impactar todos os sistemas informatizados. Naquele momento, na Venezuela, estava tramitando no congresso uma lei que iria punir as empresas de tecnologia se os bancos perdessem dinheiro em decorr\u00eancia do \u201cBug\u201d. Estive muitas vezes \u00e0 frente das negocia\u00e7\u00f5es junto ao parlamento para resolver este impasse; foi um per\u00edodo de muita tens\u00e3o. Por\u00e9m sempre acreditei que devemos fazer o melhor que podemos, em quaisquer circunst\u00e2ncias. Usei minha habilidade em vendas para transformar o RH, levando muita inova\u00e7\u00e3o para o departamento. Mesmo sem gostar e enfrentando desafios para os quais eu n\u00e3o estava preparada, ao fazer o melhor que eu podia logrei \u00eaxito na fun\u00e7\u00e3o. Seguir carreira no RH n\u00e3o era algo que eu almejava na ocasi\u00e3o, mas coloquei como objetivo dar o meu melhor. Por\u00e9m, o RH n\u00e3o tinha a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica de hoje, e o reconhecimento era pouco. Sa\u00ed desta primeira experi\u00eancia sem muita expectativa, mas a recompensa veio mais tarde, com as oportunidades que se abriram a partir dessa viv\u00eancia. Ao t\u00e9rmino destes dois anos eu estava gr\u00e1vida da minha segunda filha, Andrea Victoria, e decidi n\u00e3o retornar para o RH depois da licen\u00e7a maternidade. Assim, em 2000, retornei para a \u00e1rea de vendas da IBM.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A consolida\u00e7\u00e3o de uma segunda carreira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Costumo dizer que a mudan\u00e7a \u00e9 uma constante e devemos estar preparados para nos adaptar. E assim, mais uma vez, em 2002, motivados pela instabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica da Venezuela, eu e minha fam\u00edlia nos mudamos para Miami, nos EUA. L\u00e1 atuei como Diretora de Opera\u00e7\u00f5es para a Am\u00e9rica Latina, na sede da IBM. Foi um momento importante na minha carreira, pois participei do projeto liderado pelo presidente da Am\u00e9rica Latina, Bruno Di Leo, do time que levou a Headquarter da IBM para perto dos nossos clientes, agregando maior valor. Como resultado, em 2005, a sede da IBM Latino America de Miami foi mudada para S\u00e3o Paulo. No entanto, eu n\u00e3o quis seguir este caminho e optei por voltar \u00e0 Venezuela, passando, ent\u00e3o, para a posi\u00e7\u00e3o de executiva de vendas de Outsourcing para a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Como executiva de Outsourcing eu viajava muito, principalmente para o M\u00e9xico, o que era extremamente custoso, j\u00e1 que tanto a seguran\u00e7a p\u00fablica quanto a mobilidade na Venezuela estavam comprometidas naquele momento. Haviam, inclusive, poucas rotas de voo. Essas condi\u00e7\u00f5es me levaram a desejar uma posi\u00e7\u00e3o onde eu n\u00e3o precisasse viajar tanto. O Gerente Geral da Spanish South America, Gonzalo Escajadillo, me ofereceu a sua Diretoria de RH, que n\u00e3o contemplava nem Brasil e nem M\u00e9xico, por isso mais gerenci\u00e1vel do ponto de vista da mobilidade. Esse foi mais um&nbsp;<em>turning point<\/em>&nbsp;na carreira. Essa proposta me surpreendeu e estava inclinada a recusar, j\u00e1 que aquela experi\u00eancia anterior na \u00e1rea de recursos humanos, nos idos 1997, apesar de ter-me proporcionado muito conhecimento, n\u00e3o havia produzido em mim muito encanto. Mas Gonzalo, que depois se tornou meu amigo e mentor, me convenceu mostrando que o trabalho que eu havia realizado anteriormente junto ao RH era excepcional, desafiando a empresa e obtendo bons resultados. Neste momento, precisei novamente avaliar as minhas prioridades e ponderar o que era melhor para a minha fam\u00edlia, por fim, optei pela oferta de RH, inclusive porque com ela eu poderia escolher o pa\u00eds que eu quisesse morar, dentro da abrang\u00eancia da diretoria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante salientar que a mudan\u00e7a de carreira dentro da IBM sempre foi pautada em muito estudo. Eles investiram em mim, me desenvolveram em diferentes frentes, como: mentoria, coach e lideran\u00e7a. Fui formada dentro da IBM nesta nova carreira e me apaixonei por ela. Hoje, depois de 7 anos na Sodexo Benefits &amp; Rewards Services, sei que tive a rara oportunidade e o privil\u00e9gio de estar em duas empresas que valorizam a transforma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, s\u00e3o empresas que te capacitam e impulsionam a estudar, seja promovendo um curso ou te levando a um congresso. Essas empresas entendem que investir no indiv\u00edduo \u00e9 investir na pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma nova nacionalidade e o encerramento de um ciclo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A vinda para o Brasil aconteceu em 2008, quando a IBM abriu uma posi\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de executive resource. Apesar de meu marido ter ficado na Venezuela, viajando entre S\u00e3o Paulo e Caracas nos primeiros anos, hoje vejo que foi uma decis\u00e3o acertada, principalmente para os meus filhos, que conseguiram se estabelecer aqui, criando amizades para uma vida inteira. Nos adaptamos muito bem, inclusive meu marido, o que me fez declinar de novas posi\u00e7\u00f5es em outras cidades, como Shangai. Cresci bastante na \u00e1rea de RH at\u00e9 o ponto de n\u00e3o haver mais espa\u00e7o para novas promo\u00e7\u00f5es. Para progredir ainda mais na carreira eu precisaria sair do Brasil, o que estava fora de cogita\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ando-me novamente em busca de mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2013, voltei para as vendas atrav\u00e9s do&nbsp;<em>networking<\/em>&nbsp;que constru\u00ed dentro da pr\u00f3pria IBM, mas, como de fato eu havia me apaixonado pelos recursos humanos, continuei buscando meios de me desafiar dentro desta \u00e1rea. E em 2014, conheci a Sodexo que estava \u00e0 procura de algu\u00e9m para liderar o departamento de RH no Brasil. Durante o processo seletivo me encantei pela cultura da empresa; no entanto, a posi\u00e7\u00e3o ofertada n\u00e3o atingiu minhas expectativas, dada \u00e0 bagagem que eu trazia nos anos decorridos como diretora na IBM. Foi somente em 2015 que, com a oferta de ocupar a vice-presid\u00eancia da Am\u00e9rica Latina, eu ingressei na Sodexo. Essa nova mudan\u00e7a proporcionou-me 3 grandes conquistas: permanecer no Brasil, voltar para o RH e experienciar trabalhar na maior empregadora francesa, diferente da cultura americana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O sucesso \u00e9 em si uma conjun\u00e7\u00e3o de conquistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, tive muitos casos de sucesso em ambas as carreiras que trilhei.&nbsp; Como vendedora, destaco a venda que realizei do primeiro sistema integrado para a Bolsa de Valores da Venezuela. Juntamos v\u00e1rios provedores, inclusive de terceiros, algo que agora \u00e9 muito comum, mas na \u00e9poca foi uma proposta que exigiu muita criatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Vice-presidente de Recursos Humanos para a Am\u00e9rica Latina da Sodexo eu trouxe muito do&nbsp;<em>business sense<\/em>. Hoje no RH dizemos que somos&nbsp;<em>business partners<\/em>&nbsp;e, notadamente, o RH tem muito forte o&nbsp;<em>Partner<\/em>, ou seja, essa cultura de servi\u00e7o, de aux\u00edlio, mas \u00e9 preciso amadurecer o&nbsp;<em>Business<\/em>, que \u00e9 justamente entender a ess\u00eancia do neg\u00f3cio da empresa para que o departamento tenha de fato import\u00e2ncia estrat\u00e9gica nas tomadas de decis\u00e3o. Em todos os projetos que eu apresento, o retorno sobre o investimento tem grande peso. E \u00e9 isso que eu trago como contribui\u00e7\u00e3o para a Sodexo, essa vis\u00e3o comercial, que como engenheira e vendedora consigo imprimir agregando maior valor ao RH dentro da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Prioridades claras para a constru\u00e7\u00e3o de uma carreira s\u00f3lida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao olhar para tr\u00e1s percebo que minha jornada foi cheia de pontos de inflex\u00e3o, mas eu sempre soube o que era prioridade e consegui me adaptar para que pudesse ter uma vida que fizesse sentido para mim, com \u00eaxitos profissionais, mas tamb\u00e9m pessoais. Entrei na IBM porque nela tive a oportunidade de viajar muito e de me desenvolver profissionalmente. Ironicamente, todas as vezes que quase sa\u00ed da empresa foram tamb\u00e9m porque viajava-se muito. A empresa n\u00e3o mudou: o que mudou foram os meus objetivos de vida. Cheguei a um ponto na carreira em que continuar viajando j\u00e1 n\u00e3o tinha tanto significado. Ter claro as prioridades auxilia na tomada de decis\u00f5es, mas requer muito autoconhecimento, algo essencial para qualquer profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, destaco tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de uma comunica\u00e7\u00e3o honesta e clara sobre seus objetivos profissionais junto aos gestores. Durante minha jornada, mantive sempre uma comunica\u00e7\u00e3o direta e transparente com meus superiores, que sabiam dos meus anseios, alegrias e frustra\u00e7\u00f5es. Soma-se a isso a resigna\u00e7\u00e3o que se tem que ter nas Organiza\u00e7\u00f5es, onde n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para imediatismos. Leva-se tempo para que as coisas aconte\u00e7am e \u00e9 preciso praticar a paci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto que meu maior desafio hoje \u00e9 estar com 56 anos e n\u00e3o querer me aposentar. Procuro me reinventar todos os dias, estar sempre a par das novidades e acontecimentos, leio e estudo tudo o que est\u00e1 ao meu alcance. N\u00e3o quero ser igual \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, porque tenho algo a oferecer a partir da minha vis\u00e3o como l\u00edder e da bagagem que trago com uma s\u00f3lida carreira. Mas entendo ser fundamental conhecer as novas gera\u00e7\u00f5es para, inclusive, agregar valor \u00e0 empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma carreira bem-sucedida \u00e9 consequ\u00eancia de uma vida bem vivida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vejo que os jovens profissionais chegam ao mercado de trabalho com muita \u00e2nsia por uma carreira de sucesso e buscam resultados r\u00e1pidos. Mas acredito que o sucesso profissional \u00e9 consequ\u00eancia de um equil\u00edbrio entre trabalho, fam\u00edlia e anseios pessoais. Aconselho aos jovens que invertam os valores, busquem autoconhecimento e o sucesso profissional acontecer\u00e1 no seu tempo. A vida nos traz muitas surpresas e muito do que vivemos n\u00e3o conseguimos controlar, ent\u00e3o, seja flex\u00edvel, esteja aberto \u00e0s mudan\u00e7as e aproveite o processo. O caminho que trilhei \u00e9 um exemplo de como \u00e9 poss\u00edvel construir mais de uma carreira ao longo da vida e ter sucesso em ambas sem deixar de lado a fam\u00edlia e seus anseios particulares. N\u00e3o planejei uma carreira em recursos humanos e nem morar fora da Venezuela, mas ao me adaptar de forma inteligente aos percal\u00e7os da vida, descobri uma segunda profiss\u00e3o e um segundo pa\u00eds que eu amo. Entender o que te faz feliz e saber expressar isso de forma clara, \u00e9 o que te possibilitar\u00e1 ter uma carreira de sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso na carreira perpassa, sem sombra de d\u00favidas, as habilidades t\u00e9cnicas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abrir m\u00e3o das&nbsp;<em>hard skills<\/em>. Por\u00e9m, o diferencial est\u00e1 no que hoje chamamos de&nbsp;<em>soft skills<\/em>, aquelas habilidades comportamentais, subjetivas, como comunica\u00e7\u00e3o, escuta ativa, empatia, saber lidar com a diversidade cultural, de ideias e valores. Particularmente, gosto de trabalhar com equipes multidisciplinares, onde h\u00e1 pessoas que pensam diferente de mim. Amo aquelas conversas corajosas, onde as pessoas exp\u00f5em, discordam e discutem ideias. Porque somente desta maneira \u00e9 poss\u00edvel haver crescimento individual e da equipe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Liderar requer autoconhecimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um l\u00edder tem que ser inspirador, direcionando pessoas ao objetivo pretendido. Eu particularmente utilizo muito o humor, mas sei quando us\u00e1-lo. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es e lugares onde o humor pode n\u00e3o ser bem visto. Como busco conhecer-me com profundidade, sei dos meus defeitos e consigo ter cuidado, mitigando eventuais problemas. Se voc\u00ea deseja seguir uma carreira, mas n\u00e3o consegue perceber quais s\u00e3o suas habilidades, seus pontos fortes e fracos, isso pode te gerar muita frustra\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Arriscar e estar aberto a mudan\u00e7as \u00e9 algo tamb\u00e9m essencial para quem almeja crescer na carreira. Algo que adoro como l\u00edder \u00e9 o poder que me d\u00e1 quando eu digo &#8220;eu n\u00e3o sei, mas se \u00e9 importante, vamos todos buscar a resposta ou vamos trabalhar com essa incerteza&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inspirar-se nas pessoas que nos cercam \u00e9 a melhor forma de aprender<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tive muitos mentores durante minha jornada, inclusive alguns que me desafiaram a entender o que eu n\u00e3o queria. Tive mentores maravilhosos que me ensinaram a fazer&nbsp;<em>networking<\/em>, por exemplo, uma habilidade que precisei desenvolver, pois no come\u00e7o da carreira o&nbsp;<em>networking&nbsp;<\/em>acontecia muito ap\u00f3s o expediente, em&nbsp;<em>happy hours<\/em>, e eu n\u00e3o tinha muito traquejo neste tipo de ambiente. Considero meu atual chefe, Juan Camilo Chaves, um excelente mentor, conseguimos ter conversas muito interessantes que me auxiliam muito. Os melhores mentores que tive sempre foram meus pais, porque eles tamb\u00e9m me desafiavam constantemente e eu nunca sofri nenhum tipo de desencorajamento por parte deles por ser mulher, ou pela minha etnia. Essas n\u00e3o eram quest\u00f5es que estavam na agenda da conversa em minha educa\u00e7\u00e3o. Vejo que estes temas permeiam todas as narrativas atualmente e me sinto capacitada para apoiar as empresas em criar ambientes inclusivos. Aprendo muito com as pessoas que est\u00e3o pr\u00f3ximas a mim, meus colegas, amigos, pais, irm\u00e3os, marido, inclusive meus filhos, que me ajudam a entender e a me comunicar cada vez melhor com os profissionais das novas gera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o come\u00e7ando agora suas carreiras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ler e estudar, duas grandes paix\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante toda a minha carreira sempre estudei e li muito. Ler, na verdade, \u00e9 um dos meus grandes prazeres e como leitora sou \u201c<em>multitask<\/em>\u201d. Costumo ler 2 ou 3 livros ao mesmo tempo. Atualmente estou lendo&nbsp;<em>Anna Karenina<\/em>&nbsp;de Lev Tolstoi, um cl\u00e1ssico;&nbsp;<em>O Deserto dos T\u00e1rtaros<\/em>&nbsp;de Dino Buzzati, um livro que me foi indicado pelo clube do livro ao qual participo e que eu adoro, pois me traz sempre t\u00edtulos que eu jamais leria; e por fim, um livro interessant\u00edssimo, que fala justamente sobre adaptabilidade e que me foi recomendado por uma pessoa de quem gosto muito,&nbsp;<em>How to manage your life<\/em>&nbsp;de Mr. Vishal Tatwavedi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nome completo: Mardely Esperanza Vega Ruiz Nacionalidade: Venezuelana Forma\u00e7\u00e3o: Engenharia da Computa\u00e7\u00e3o pela Universidad Sim\u00f3n Bol\u00edvar Ocupa\u00e7\u00e3o: Vice-president &#8211; Human Resources for Latin America &amp; USA Sodexo Benefits &amp; Reward Services Mardely Esperanza Vega Ruiz \u00e9 uma profissional venezuelana especializada em Recursos Humanos e Vice-Presidente de RH para Am\u00e9rica Latina e EUA na Sodexo Benefits [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":5072,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-5071","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historias-de-sucesso-vl-9"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5071\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5072"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoragp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}