{"id":5189,"date":"2023-10-11T23:20:44","date_gmt":"2023-10-12T02:20:44","guid":{"rendered":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=5189"},"modified":"2023-10-11T23:25:08","modified_gmt":"2023-10-12T02:25:08","slug":"adilson-roberto-fuga-presidente-executivo-na-capal-cooperativa-agroindustrial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoragp.com.br\/?p=5189","title":{"rendered":"Adilson Roberto Fuga, presidente executivo na Capal Cooperativa Agroindustrial"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Borracheiro at\u00e9 os 18 anos, e Presidente Executivo aos 33<\/h1>\n\n\n\n<p>Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de Adilson Roberto Fuga, presidente executivo na Capal Cooperativa Agroindustrial<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/classic.exame.com\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Foto-Adilson-Roberto-Fuga.png?w=1024\" alt=\" (Adilson Roberto Fuga\/ Hist\u00f3rias de Sucesso\/Divulga\u00e7\u00e3o)\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/colunistas\/historias-de-sucesso\/ultimas-noticias\/\">Hist\u00f3rias de sucesso<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Publicado em&nbsp;2 de dezembro de 2022 \u00e0s,&nbsp;13h38.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Fabiana Monteiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu sou mineiro de Ibiraci, mas, com um ano de idade, meus pais mudaram para Alto Paran\u00e1, uma cidadezinha no Noroeste paranaense, perto de Paranava\u00ed. L\u00e1, passei a minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Venho de uma fam\u00edlia bastante pobre, passamos por situa\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis e, em fun\u00e7\u00e3o disso, comecei a trabalhar muito cedo, com apenas sete anos. Aos dez, consegui meu primeiro emprego fixo, como borracheiro, e assim fiquei at\u00e9 me mudar para Curitiba, aos 18 anos. Hoje, sou casado com a Desir\u00e9e, que conheci em 1993, durante minha p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Faculdade de Administra\u00e7\u00e3o e Economia (FAE), e temos dois filhos: Bruno (25 anos) e Nayane (22 anos).<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre estudei em escola p\u00fablica, e depois fiz o curso t\u00e9cnico em Contabilidade. N\u00e3o foi bem uma escolha, a Contabilidade, mas era a \u00fanica op\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel na cidade. Mesmo fazendo um servi\u00e7o \u201cbra\u00e7al\u201d, jamais deixei de estudar, na esperan\u00e7a de sair dali para uma condi\u00e7\u00e3o melhor. Sempre tive muita garra e vontade de alcan\u00e7ar algo diferente, e carregava comigo a certeza de que n\u00e3o seria ali, em Alto Paran\u00e1, mas em Curitiba o meu lugar. Foi a decis\u00e3o a que cheguei, j\u00e1 no final do meu curso de Contabilidade. Certo dia, comprei a passagem e avisei para minha fam\u00edlia: \u201cEstou indo embora. No dia 25 de novembro pego o \u00f4nibus e embarco para a capital.\u201d Eles n\u00e3o acreditaram, pensaram que eu estava brincando.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas eu n\u00e3o estava. Peguei uma mochila de&nbsp;<em>camping<\/em>&nbsp;emprestada do meu irm\u00e3o, coloquei minhas poucas roupas e, em 25 de novembro de 1983, parti para Curitiba. Cheguei de madrugada e consegui abrigo na casa de uma tia que se surpreendeu com aquela visita inesperada e \u201cfora de hora\u201d. Fiquei apenas alguns dias com ela. No dia seguinte, comecei a procurar emprego e tinha ao menos um amigo de Alto Paran\u00e1, Mauro Saorin, a quem poderia recorrer. Ele trabalhava na Hermes Macedo ou simplesmente Lojas HM uma rede de lojas de departamento que nem existe mais. Ele me orientou aonde ir para preencher uma ficha, e no dia 13 de dezembro eu comecei no departamento financeiro da Hermes Macedo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00ed da casa da minha tia, e fui morar na casa deste amigo, em um bairro muito distante do Centro. Ganhava cerca de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, que mal cobria minhas despesas. Ent\u00e3o, quando um primo, Vanderlei Fran\u00e7olin, ofereceu-me um quartinho \u2013 de dois metros quadrados \u2013 para morar e sem a necessidade de pagar aluguel, n\u00e3o pensei duas vezes. Fiquei tr\u00eas meses na casa dele, e nada foi cobrado. E ainda tinha minhas roupas lavadas. Sou muito grato a eles. N\u00e3o tinha do que reclamar. Mesmo assim, interessei-me quando Mauro voltou a me ligar, e disse que a m\u00e3e dele estava mudando para Curitiba e que morariam no Centro. Disse mais: que se eu quisesse, arranjariam um espa\u00e7o para mim, desde que contribu\u00edsse com o valor do aluguel. Aceitei a oferta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do banco para um curtume<\/h2>\n\n\n\n<p>A vida ficou bem melhor quando fui morar perto do trabalho. O sal\u00e1rio continuava ruim, mas estava feliz. Quando completei oito meses na Hermes Macedo, recebi uma liga\u00e7\u00e3o daquele primo que me acolheu na casa dele, o Vanderlei. Ele trabalhava no Banco Nacional do Norte, o Banorte, e falou que a institui\u00e7\u00e3o estava contratando. Fui l\u00e1, preenchi uma ficha, fiz, depois, uma entrevista e me chamaram para trabalhar. Quando pedi as contas nas Lojas HM, quiseram cobrir a oferta salarial e me ofereceram uma promo\u00e7\u00e3o para encarregado. Agradeci. Disse que j\u00e1 tinha tomado a minha decis\u00e3o e que poderiam at\u00e9 oferecer o dobro do valor que ganharia, mas que \u201cn\u00e3o voltaria atr\u00e1s na minha palavra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei no Banorte, em 1984, fazendo fechamento de contabilidade. Trabalhava muito, e a ascens\u00e3o foi r\u00e1pida. No primeiro ano, j\u00e1 era encarregado; e, no terceiro, procurador do banco, e estava em vias de assumir uma ag\u00eancia em uma cidade do interior. Nessa fase despertou em mim a necessidade de estudar. Comecei, ent\u00e3o, a fazer um cursinho preparat\u00f3rio de manh\u00e3 e trabalhava do per\u00edodo da tarde para a noite. \u00c0quela altura, tinha deixado de morar no apartamento da m\u00e3e do Mauro e alugado uma quitinete que durante um ano dividi com minha irm\u00e3. Ela \u00e9 enfermeira e estava fazendo uma forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Prestei o vestibular, e consegui uma vaga em Ci\u00eancias Cont\u00e1beis na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), iniciando em 1987. Era a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho: a faculdade p\u00fablica para quem tinha estudado uma vida inteira em escola p\u00fablica. Aquela era a minha \u00fanica op\u00e7\u00e3o, pois ainda n\u00e3o poderia pagar, se fosse preciso. Tanto que n\u00e3o prestei para alguma outra. Nessa ocasi\u00e3o, um diretor regional do banco deixou o Banorte e foi para o Curtume Curitiba, levando com ele muita gente. Perdi o contato com todos eles. Mas, em 1988, esse diretor buscava algu\u00e9m que pudesse fazer a conex\u00e3o entre a contabilidade e o financeiro, e um daqueles meus ex-colegas se lembrou do meu nome. Eles entraram em contato comigo, conversei com esse diretor e ficou tudo acertado. Na \u00e9poca, ele me perguntou quanto gostaria de receber para trocar o banco pelo curtume, e \u201cchutei\u201d um valor que julgava \u201cestratosf\u00e9rico\u201d, que era duas vezes o que eu ganhava. E ele simplesmente respondeu: \u201cTudo bem. Quando que voc\u00ea pode come\u00e7ar?\u201d. Aquela cena ficou na minha cabe\u00e7a. Tempos depois, conversando com ele, eu perguntei que se eu tivesse pedido mais, ele aceitaria. E desta vez, a resposta foi: \u201cEstava disposto a pagar muito mais, mas como voc\u00ea s\u00f3 pediu aquilo, eu aceitei\u201d. Ali, entendi que tinha negociado mal o meu passe. Comecei na Contabilidade. Mas, logo ele precisou de algu\u00e9m para o financeiro e me chamou. Quando ele saiu da empresa, assumi o cargo de gerente financeiro, atuando em todas as finan\u00e7as do curtume. L\u00e1 fiquei at\u00e9 1995.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma miss\u00e3o de cinco anos<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante meu per\u00edodo no curtume, o diretor financeiro, Clodoaldo Guilherme, o mesmo que havia me contratado para o curtume, foi em seguida para a Cooperativa Central de Latic\u00ednios do Paran\u00e1 (CCLPL) que era dona da marca Batavo. E uma das donas da CCLPL era a Capal, a empresa em que trabalho hoje. Na \u00e9poca, a Capal enfrentava uma s\u00e9ria crise, com risco de \u201cfechar as portas\u201d. Diante daqueles problemas, o pessoal perguntou se o Clodoaldo tinha algu\u00e9m para indicar a fim de colocar em ordem as finan\u00e7as da cooperativa e renegociar as d\u00edvidas com os bancos. Assim, fui recomendado. Ele \u00e9 um daqueles que tenho como um dos meus mentores, pois me espelhei muito nele para ser o que sou hoje. Lembro que ele me ligou em um domingo, quis saber como eu estava e disse que tinha um desafio enorme para me oferecer. Findou eu conversando com o pessoal da Capal, em Carambe\u00ed, e, no dia 13 de fevereiro de 1995, iniciei minha nova jornada como gerente financeiro em Arapoti, em que me encontro hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, ainda nem era casado e meu prop\u00f3sito era ficar por cinco anos. Minha miss\u00e3o era renegociar as d\u00edvidas da cooperativa, coloc\u00e1-la nos eixos e, s\u00f3 depois, retornar para Curitiba. A condi\u00e7\u00e3o que eu estava, era realmente complicada, com a contabilidade atrasada por quase um ano. Prometeram-me uma casa e, na \u201chora H\u201d, n\u00e3o tinha im\u00f3vel dispon\u00edvel e, quando cheguei na segunda-feira para trabalhar, ningu\u00e9m me recebeu ou me apresentou \u00e0s demais pessoas. \u201cIsso nunca mais vai voltar a acontecer aqui com ningu\u00e9m\u201d, pensei.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Turnaround na cooperativa<\/h2>\n\n\n\n<p>Comecei a trabalhar, tomei \u201cp\u00e9 da situa\u00e7\u00e3o\u201d, tive atritos e desaven\u00e7as, e apresentei meu diagn\u00f3stico para os conselheiros. Ouvia comumente: \u201cQuem conhece de cooperativa sou eu, e isso aqui em cooperativa n\u00e3o d\u00e1 certo\u201d. Da minha parte, respondia: \u201cN\u00e3o conhe\u00e7o de cooperativa, mas conhe\u00e7o de empresa e, como empresa, temos que mudar\u201d. Precis\u00e1vamos fazer o or\u00e7amento do zero, do contr\u00e1rio ser\u00edamos uma&nbsp;<em>nau \u00e0 deriva<\/em>. T\u00ednhamos ainda que organizar o financeiro e a contabilidade, e percebi que n\u00e3o conseguiria \u201cdar conta\u201d de tudo sozinho. Recorri a um consultor que estava na CCLPL, e pedi que ele nos ajudasse por tr\u00eas meses, especialmente no processo de produ\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento. Ele ficava o dia inteiro, muitas vezes das 7 da manh\u00e3 \u00e0s 11 da noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando esse documento foi finalizado, fizemos uma reuni\u00e3o com o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o e o Conselho Fiscal, e sa\u00edmos com v\u00e1rias decis\u00f5es. A principal delas \u00e9 que precisar\u00edamos de um novo gerente-geral. Por meio de um&nbsp;<em>headhunter<\/em>, em agosto de 1995, juntou-se ao time Luiz Carlos Diemeyer, que cumpriu um papel importante no processo de&nbsp;<em>turnaround<\/em>&nbsp;da cooperativa. Ele foi o meu segundo mentor, embora tenhamos trabalhado juntos por pouco tempo. Contratamos, tamb\u00e9m, um contador, que veio de Curitiba, e contribuiu para que, no in\u00edcio de 1996, estiv\u00e9ssemos com a contabilidade em dia. As mudan\u00e7as foram se acentuando, e chegamos a reduzir nosso quadro de funcion\u00e1rios em mais de 50%. Quando come\u00e7amos esse trabalho, a Capal tinha 285 funcion\u00e1rios e, no final do primeiro ano, estava com 123. Fizemos, tamb\u00e9m, um profundo corte de despesa, nos reorganizamos, e assim tudo come\u00e7ou a fluir.<\/p>\n\n\n\n<p>No final do ano de 1997, Luiz Carlos foi convidado para trabalhar na Bat\u00e1via, uma empresa nova que foi criada durante o processo de compra da Batavo pela Parmalat. Quando, em abril de 1998, a antiga multinacional italiana assumiu 51% da Bat\u00e1via, levou, tamb\u00e9m, alguns bons profissionais que j\u00e1 estavam l\u00e1, entre eles o Luiz Carlos. Nesse movimento, assumi como principal executivo da Capal. E o trabalho continua desde ent\u00e3o. Hoje, somos mais de 3.500 cooperados. Na \u00e9poca, atend\u00edamos 23 mil hectares, e agora s\u00e3o 180 mil. Foi preciso dar alguns passos para atr\u00e1s a fim de avan\u00e7armos. E esse avan\u00e7o foi impressionante.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cChega de olhar para o passado. Agora \u00e9 olhar para o futuro\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Tudo na minha vida aconteceu muito r\u00e1pido. Minha ascens\u00e3o no banco foi \u201cmete\u00f3rica\u201d, e no curtume obtive os primeiros resultados de impacto. Fiquei l\u00e1 por sete anos e, em pouco tempo, tornei-me gerente financeiro. J\u00e1 na cooperativa, cheguei com 29 anos e, com 32, era o principal executivo. Ao longo da minha trajet\u00f3ria, a vida foi me colocando desafios, e eu, sempre, fui superando todos. Mas, de tudo que realizei, considero que o meu grande feito na carreira foi realmente o processo de salvamento da Capal. Esse&nbsp;<em>turnaround<\/em>&nbsp;\u00e9 algo que tenho muito orgulho, e que considero o meu maior&nbsp;<em>case<\/em>&nbsp;de sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2000, ao completar o prazo de cinco anos que eu delimitei, a cooperativa deu seu primeiro resultado positivo. Enfim, ela estava saneada. Na reuni\u00e3o do conselho, disse que meu trabalho, ali, havia se encerrado, que estava indo embora, e que entregaria a Capal no azul. Eles perguntaram o que, ent\u00e3o, eu sugeriria para a empresa dali para a frente a fim de n\u00e3o colocar em risco todo o esfor\u00e7o que foi feito para sane\u00e1-la. \u201cChega de olhar para o passado. Agora \u00e9 olhar para o futuro\u201d, respondi, apontando os caminhos para se chegar a este futuro, a come\u00e7ar pela realiza\u00e7\u00e3o do planejamento estrat\u00e9gico. Eles pediram que eu indicasse algu\u00e9m para ajudar na produ\u00e7\u00e3o deste documento, e recomendei um profissional dos mais competentes, que era o Sr. Carlos Claro, que eu havia conhecido em um curso na Cidade de Maring\u00e1, e o nome foi aprovado. Fizeram, ent\u00e3o, outro pedido para que eu conduzisse o processo de planejamento estrat\u00e9gico. Aceitei, fizemos um belo trabalho e o entreguei com a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cmiss\u00e3o cumprida\u201d. E de novo o conselho disse: \u201cAgora gostar\u00edamos que tocasse esse planejamento estrat\u00e9gico que voc\u00ea ajudou a construir\u201d. E eu aceitei mais aquele desafio. Assim, conseguimos transformar uma pequena e quebrada cooperativa em uma das maiores do Brasil, que se destaca no cen\u00e1rio nacional e que est\u00e1 muito bem posicionada. Por isso, o meu orgulho!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A armadilha do imediatismo<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel seguir na vida ou na carreira sem ver-se diante de armadilhas, e o imediatismo \u00e9 certamente uma das maiores delas. Muitas vezes, processos demoram tempo para acontecer, como \u00e9 o caso de um&nbsp;<em>turnaround<\/em>. \u00c9 quando se tem que tomar decis\u00f5es, extremamente, dif\u00edceis, e o resultado n\u00e3o aparece t\u00e3o r\u00e1pido. \u00c9 preciso ter equil\u00edbrio, contar com apoios, e ter uma linha muito bem definida do que se quer fazer e porque se est\u00e1 fazendo. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio consci\u00eancia para n\u00e3o se desviar do caminho. Digo isso porque, em muitos neg\u00f3cios, as pessoas come\u00e7am a fazer um determinado trabalho e, querendo um resultado r\u00e1pido, desviam do caminho tra\u00e7ado e o deixam pelo caminho. Isso para mim \u00e9 uma grande \u201cescorregada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, que um dos pap\u00e9is e o diferencial de um bom l\u00edder, especialmente em um mundo t\u00e3o complexo quanto o atual, \u00e9 saber montar uma boa equipe, organizando as pessoas de modo a conseguir delas o m\u00e1ximo, mantendo a unidade e o apoio delas. Tamb\u00e9m n\u00e3o consigo ver o l\u00edder sem que este tenha uma personalidade forte, para que assim possa, muitas vezes, ouvir bastante e \u201cdigerir\u201d tudo. Mas, antes de qualquer coisa, \u00e9 preciso saber conduzir as situa\u00e7\u00f5es e lidar com pessoas. Afinal, sempre temos que tomar decis\u00f5es que impactam na vida de muita gente e, se n\u00e3o soubermos lidar com isso, podemos provocar um \u201cestrago\u201d grande.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cCavalo encilhado n\u00e3o passa duas vezes\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>A vida de um executivo \u00e9 similar a um jogo de&nbsp;<em>videogame<\/em>: cada nova etapa fica mais dif\u00edcil. \u00c9 sempre assim. Voc\u00ea vai evoluindo, e a realidade vai ficando mais complexa. No meu caso, a Capal se agigantou, e \u00e9 um grande desafio gerir a cooperativa que ela se tornou, com um faturamento de 4 bilh\u00f5es de reais ao ano. Temos v\u00e1rios neg\u00f3cios com outras cooperativas, e estou envolvido em todos eles. Temos a Uniun, uma uni\u00e3o com outras duas cooperativas; tr\u00eas ind\u00fastrias de leite, uma de carnes, um moinho de trigo, uma cooperativa de fertilizantes, a Coonagro, a qual sou da diretoria executiva, um&nbsp;<em>marketplace<\/em>, chamado Supercampo, o qual tamb\u00e9m sou diretor, e estamos construindo uma maltaria com outras cinco parceiras, que \u00e9 investimento de 1,6 bilh\u00e3o de reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Da minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, sobre cooperativas de cr\u00e9dito, nasceu a Sicredi Capal, que, hoje, se chama Sicredi Novos Horizontes PR\/SP, e disp\u00f5e de quase 2 bilh\u00f5es de reais de recursos administrados, sendo eu o seu Vice-Presidente. Vale dizer que, quando comecei, a Capal tinha duas pequenas unidades: uma em Arapoti e outra em Itarar\u00e9. Atualmente, estamos com mais de 20 unidades, em diversos munic\u00edpios do Paran\u00e1 e de S\u00e3o Paulo. Tudo requer muito comprometimento, controle, e n\u00e3o conseguir\u00edamos fazer isso sem gest\u00e3o e contabilidade adequadas, assim \u00e9 o que est\u00e1 nos permitindo crescer de forma extraordin\u00e1ria. Registramos um crescimento de 57% em 2021, e mais de 30%, somente, no primeiro semestre de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 estou a quase 30 anos na Capal, e pretendo continuar aqui, ainda, por mais alguns anos. Mas ainda tenho muitos planos para mim, como viver nos Estados Unidos, onde j\u00e1 morei apenas por tr\u00eas meses. N\u00e3o ser\u00e1 um ano sab\u00e1tico, pois n\u00e3o pretendo voltar ao trabalho, mas a realiza\u00e7\u00e3o de um projeto de vida. Na minha hist\u00f3ria, nunca algo aconteceu por \u201cpuro acaso\u201d, sempre teve uma \u201craz\u00e3o de ser\u201d. Por isso, digo \u00e0queles que est\u00e3o comigo para acreditar e para perseverar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os jovens de hoje se caracterizam, exatamente, pelo imediatismo, mas, \u00e0s vezes, \u00e9 preciso aguardar um pouco mais. A boa not\u00edcia \u00e9 que sempre tem algu\u00e9m nos observando e analisando nosso potencial. Ent\u00e3o, trabalhe para criar as oportunidades, e as aproveite quando elas surgirem. \u00c9 como aquele prov\u00e9rbio que diz: \u201ccavalo encilhado n\u00e3o passa duas vezes\u201d. Se voc\u00ea n\u00e3o montar, outra pessoa monta. Ent\u00e3o, primeiro \u00e9 preciso ter a percep\u00e7\u00e3o; segundo, estar preparado; e depois, ter a coragem para agir e a disposi\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a, porque pode n\u00e3o ter um segundo cavalo para montar. Ent\u00e3o, se aparecer a sua chance, aproveite-a e siga em frente, pois coisas boas vir\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dicas de leitura de Adilson Roberto Fuga<\/h2>\n\n\n\n<p><em>A startup enxuta: Como usar a inova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para criar neg\u00f3cios radicalmente bem-sucedidos<\/em>, de Eric Ries. Editora: Sextante<\/p>\n\n\n\n<p><em>O tempo e o vento<\/em>, de Erico Ver\u00edssimo. Editora: Companhia das Letras<\/p>\n\n\n\n<p><em>Desir\u00e9e \u2013 O grande amor de Napole\u00e3o<\/em>, de Annemarie Selinko. Editora: APGIQ<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/noticias-sobre\/ceos\/\">CEOs<\/a><a href=\"https:\/\/exame.com\/noticias-sobre\/sucesso\/\"> <\/a><a href=\"https:\/\/exame.com\/noticias-sobre\/sucesso\/\">Sucesso<\/a> #Hist\u00f3riasdesucesso #ExameHistoriasdeSucesso #Editoraglobalpartners<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Borracheiro at\u00e9 os 18 anos, e Presidente Executivo aos 33 Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de Adilson Roberto Fuga, presidente executivo na Capal Cooperativa Agroindustrial Hist\u00f3rias de sucesso Publicado em&nbsp;2 de dezembro de 2022 \u00e0s,&nbsp;13h38. 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