Sororidade: o valor da aliança entre as mulheres

Sororidade é um pacto social, ético e emocional construído entre as mulheres . É, antes de tudo, saber que, juntas, somos mais fortes, que a capacitação só é possível se criarmos fortes alianças entre nós, tratando-nos como irmãs e não como inimigas. Uma relação baseada em nosso valor como um coletivo com a intenção de gerar uma mudança real em nossa sociedade.

Apesar de ser usado há mais de 40 anos, se você procurar esse termo em um dicionário, ela o remeterá para “sonoridade”, depois de afirmar que aquela palavra não está cadastrada. O que para alguns continua a ser uma espécie de erro é, na verdade, um conceito que acaba com todos os preconceitos segundo os quais as mulheres não conseguem ser amigas, que são rivais entre si por natureza ou que são mais cruéis entre elas. Nos anos 70, a escritora norte-americana Kate Millett cunhou o termo sisterhood e depois disso as feministas francesas começaram a usar sororité. Atualmente, a antropóloga e política mexicana Marcela Lagarde, uma das maiores divulgadoras do conceito em língua espanhola, o define como “o apoio recíproco entre as mulheres para se conseguir o poder para todas”. É uma aliança entre as mulheres, que proporciona a confiança, o reconhecimento mútuo da autoridade e o apoio. “Trata-se de pactuar de maneira limitada e pontual algumas coisas com cada vez mais mulheres. Somar e criar vínculos. Assumir que cada uma é um elo no encontro com muitas outras”, escreve Lagarde.

Sororidade seletiva

Nem todas as mulheres compartilham dos mesmos ideais, portanto a sororidade pode ser seletiva, quando subgrupos que partilham opiniões similares se juntam em torno dessa causa, baseada em interesses pessoais.

Exemplo de sororidade seletiva: Business and Professional Women – BPW. Um grupo de mulheres que formou um organização mundial comprometida com a criação de redes e capacitação de mulheres em todo o mundo.

Um outro exemplo é o Mulheres do Brasil. Um grupo que nasceu em 2013 a partir da união de 40 mulheres que sonhavam em engajar a sociedade na conquista de melhorias para o país.

Sonoridade também pode ser visto em entidades sem fins lucrativos como o Instituto Nação de Valor, que foi fundado por um grupo de mulheres atuantes no campo do desenvolvimento humano, que têm em comum o propósito de serem protagonistas na construção de um mundo melhor, através do desenvolvimento individual e coletivo.

Movimentos em prol da sororidade

Alguns movimentos ganharam força nos últimos tempos em torno da palavra sororidade. Uma plataforma feminista que prega os ideais da sororidade é o “Todas as Mulheres do Mundo”, no qual sua fundadora Giovanna Maradei, faz uma citação da palavra e seu significado: “Para mim, sororidade é ter, acima de tudo, a ideia de que nós precisamos apoiar outras mulheres para buscarmos juntas a liberdade que queremos”, explica.

Outro movimento que tem ganhado grandes proporções é o “Vamos juntas?”, onde o lema das mulheres é “sozinha minha voz é apenas uma voz. Precisamos da voz de todas para que a gente tenha força”. A jornalista fundadora do movimento Vamos juntas? é Babi Souza e para ela, a sororidade também funciona como uma réplica ao fato entrincheirado na sociedade sobre competição entre as mulheres:

 “Fomos criadas em uma sociedade que nos ensinou que devemos nos odiar, que precisamos ter uma roupa mais bonita que a fulana e que precisamos estar mais bem colocadas no mercado de trabalho do que ela. Não podemos dar força à essa ideia de competição, por isso a sororidade é tão importante”.

Esses movimentos são porta bandeiras da:

  • Empatia
  • Compaixão mutua
  • Solidariedade
  • Acolhimento

Como praticar a sororidade

Nos dias de hoje, é muito importante que as mulheres se aliem não só em movimentos pró-feministas ou afins. É importante que esse sentimento paire no dia a dia também. Essa é uma prática que ajuda as mulheres enxergarem umas as outras como companheiras, aliadas e amigas.

Elas devem encontrar umas nas outras, alguém com quem possam contar ou desabafar. Algumas atitudes ajudam as mulheres nesse caso:

  • Não veja outras mulheres como rivais apenas por elas serem mulheres; 
  • Não utilize vocabulário de baixo calão para ofender a imagem de outras mulheres (como vadia, vagabunda, entre outros termos ofensivos);
  • Compartilhe ajuda, conselhos, conhecimento e ofereça um ouvido atento às outras mulheres;
  • Fique atenta para situações em que você possa ajudar uma mulher em apuros, principalmente em lugares onde ela possa ser abusada verbalmente ou sexualmente;
  • Elogie e ajude-a a obter sucesso entre o grupo de amigas;

E não esqueça: incentive outras mulheres, não as abandone ou as deixe se sentirem inúteis, não as deixem desistir. Isso pode significar muito para uma mulher, e nem precisa ser feminista para conseguir esse feito.

Fonte: Katiane Vieira / El pais

Editora Global Partners

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